Trump volta a mudar equipe de transição e cogita nomes leais para gabinete

Por Emily Stephenson e Steve Holland

NOVA YORK/WASHINGTON (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a alterar sua equipe de transição na terça-feira, descartando um especialista em segurança nacional e lobistas de seu círculo íntimo e assinalando que irá nomear dois apoiadores leais de Wall Street para cargos econômicos vitais.

Trump, republicano sem histórico político que surpreendeu vencendo a eleição presidencial na semana passada, também resolveu um problema burocrático que travou temporariamente sua transição depois de colocar o vice-presidente eleito, Mike Pence, encarregado do processo.

"Processo muito organizado acontecendo enquanto decido o gabinete e muitas outras posições", escreveu Trump no Twitter depois de sua comitiva escapar dos repórteres reunidos em seu edifício de apartamentos para que ele pudesse levar a família para jantar no 21 Club, um restaurante de Manhattan.

"Sou o único que sabe quem são os finalistas!", disse Trump.

No topo de sua lista para os principais cargos de economia estão o veterano de Wall Street e diretor de finanças de sua campanha Steve Mnuchin como secretário do Tesouro e o apoiador de longa data e investidor bilionário Wilbur Ross para a secretaria de Comércio, de acordo com o aliado de Trump e investidor ativista Carl Icahn.

Mas um republicano moderado bem conhecido foi afastado do planejamento da transição. Mike Rogers, ex-deputado de Michigan que havia sido mencionado como possível escolhido para diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês), deixou a equipe de transição.

Rogers chegou a trabalhar com o governador de Nova Jersey, Chris Christie, que na sexta-feira foi substituído abruptamente por Pence como chefe da equipe de transição.

Essa mudança freou as conversas sobre a transição com a Casa Branca. Pence precisava assinar um memorando de entendimento que foi recebido pelo governo atual na noite de terça-feira.

A equipe de Trump ainda tem uma papelada para preencher antes que reuniões de atualização com as agências possam acontecer, disse uma porta-voz da Casa Branca. O time irá precisar providenciar um código de conduta e certificar que seus membros não têm conflitos de interesse.

Novas mudanças são prováveis. Pence e Rick Dearborn, diretor-executivo da equipe de transição, estão "retirando todo e qualquer lobista", afirmou um assessor da transição.

"Isso é para garantir que o compromisso do presidente eleito Trump de banir lobistas seja cumprido em todos os níveis da transição", disse.

O presidente eleito tem até sua posse em 20 de janeiro, menos de 70 dias, para escolher os membros de seu gabinete e outros ocupantes de postos de alto escalão. Em algum momento ele terá que preencher cerca de 4 mil vagas.

Wall Street está observando atentamente quem Trump escolhe para o Tesouro porque os republicanos têm maioria nas duas Casas do Congresso, o que dá a Trump uma oportunidade melhor de realizar reformas tributárias e financeiras.

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