Turquia prende político pró-curdo e nomeia administradores para cidades do sudeste

DIYARBAKIR, Turquia (Reuters) - A Turquia deteve o líder de um partido pró-curdo e o prefeito da cidade de Van, no sudeste do país, nesta quinta-feira, além de assumir o controle de três municipalidades na região, informou o partido, levando adiante uma repressão a políticos curdos.

A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar uma multidão de cerca de 100 pessoas que se reuniram do lado de fora da prefeitura de Van para protestar contra a detenção do prefeito, Bekir Kaya, como mostraram imagens em vídeo obtidas pela Reuters.

A Turquia está combatendo uma insurgência de militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo) no sudeste de maioria curda, mas a prisão de políticos pró-curdos e jornalistas, parte de uma operação de segurança repressiva mais ampla surgida na esteira de um golpe de Estado fracassado em julho, despertou preocupações em aliados ocidentais a respeito dos direitos humanos no país.

O co-líder do Partido das Regiões Democráticas (DBP) de Kaya, Kamuran Yuksek, foi detido pela polícia na província de Sirnak, próxima da fronteira com a Síria, escreveu a legenda em sua conta de Twitter, mas sem dizer por que ele foi levado.

O DBP também afirmou que o governou nomeou administradores para gerenciar o conselho de Van e das províncias vizinhas de Siirt e Mardin.

O vídeo mostra policiais à paisana retirando Kaya dos escritórios do conselho da cidade situada às margens do lago Van, centro de uma província com população de 1,1 milhão de habitantes.

O DBP prometeu resistir ao que descreveu como a "tomada de reféns" de seus representantes e à ocupação de 34 de suas municipalidades, realizada pelo governista Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco).

"Usando o golpe como desculpa, o AKP e o governo declararam guerra a todos os círculos da oposição no país, principalmente o povo curdo... a resposta de nosso povo a estes ataques de ocupação será resistir", afirmou.

A polícia fez buscas em escritórios de municipalidades e nas casas de Kaya e de quatro outras autoridades do conselho, relatou a agência estatal de notícias Anadolu. Em janeiro, Kaya foi condenado a 15 anos de prisão pela acusação de "filiação a um grupo terrorista", disse a agência, mas está apelando do veredicto.

A repressão a políticos pró-curdos acontece paralelamente a um expurgo de pessoas acusadas de terem laços com o clérigo Fethullah Gulen, que mora nos Estados Unidos e foi acusado pelas autoridades turcas de ser o mentor da tentativa de golpe de julho. Gulen nega a acusação.

Mais de 110 mil pessoas foram demitidas ou suspensas nas Forças Armadas, no funcionalismo público, no judiciário e em outros setores, e 36 mil estão presas à espera de julgamento, parte da investigação sobre o golpe malfadado.

(Por Daren Butler)

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