Conservadores têm preocupações com indicação de senador para secretário de Justiça de Trump

Por Julia Edwards Ainsley e Patricia Zengerle

WASHINGTON (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu o seu primeiro e mais fiel apoiador no Senado, o republicano conservador Jeff Sessions, para ser o próximo secretário de Justiça do país, provocando protestos de grupos de direitos civis e de alguns conservadores fora do Congresso que se preocupam com opiniões de Sessions.

Se aprovado para o cargo por uma minoria simples no Senado dominado pelos republicanos, Sessions, de 69 anos, vai comandar o Departamento de Justiça e o FBI. O senador traz com ele um histórico de opiniões polêmicas sobre temas raciais, imigração e reforma criminal, que podem ser alvos para os democratas.

Ana Navarro, estrategista republicana e crítica de Trump, disse via Twitter: “Jeff Sessions, considerado racista demais para ser um juiz nos anos 1980, é o procurador-geral de Trump”.

Holly Harris, diretora-executiva da rede Justice Action, um grupo que defende a reforma das sentenças e que inclui Grover Norquist, poderoso conservador defensor da reforma fiscal, disse que a indicação de Sessions “apresenta obviamente um desafio”.

Sessions se opôs a reduzir a sentença mínima obrigatória para pequenos infratores.

Muitos grupos relacionados a direitos civis e imigração se preocupam com Sessions, com a União de Liberdades Civis dizendo que as suas posições sobre direitos gays, pena de morte, aborto e autoridade presidencial em tempos de guerra devem ser examinadas.

Kristen Clarke, presidente do comitê de advogados pelos direitos civis, afirmou à Reuters: “A nossa nação merece um secretário de Justiça que vai estar comprometido com a aplicação das leis de direitos civis da nossa nação e que não vai voltar no tempo em avanços que têm sido feitos”.

Jason Miller, porta-voz de Trump, defendeu Sessions contra as acusações de racismo: “Quando o senador Sessions foi promotor dos Estados Unidos ele entrou com vários processos contra segregação no Alabama, e ele também votou a favor da extensão por 30 anos do Ato dos Direitos Civis. Assim, nos sentimos muito confiantes de que o senador Sessions tem a bagagem e o apoio para receber a confirmação”.

O gabinete do senador não retornou o pedido de comentários sobre a sua indicação e sobre as críticas contra ele.

Sessions foi promotor federal em 1986 quando ele se tornou o segundo indicado em 50 anos a ter negada a confirmação para juiz federal. Isso se deu depois de acusações de que ele tinha feito comentários racistas, incluindo um testemunho de que ele havia chamado um promotor afro-americano de “garoto”, algo que ele nega.

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