Sarkozy indica adeus à cena política após fracasso em prévia partidária

Por Michel Rose

PARIS (Reuters) - O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi eliminado da corrida pela Presidência do país de forma impactante no domingo, quando eleitores abreviaram um retorno à política em que o conservador tentou apelar ao populismo.

Derrotado de maneira humilhante na prévia que irá decidir o candidato conservador quatro anos depois de perder uma primeira tentativa de reeleição para o socialista François Hollande, Sarkozy, de 61 anos, aludiu a uma possível retirada de cena política ao admitir sua derrota.

"É hora de eu tentar uma vida com paixões mais particulares do que públicas", disse ele, agradecendo sua esposa, a ex-modelo e cantora Carla Bruni, e os filhos. "Não sinto amargura, nem tristeza, e desejo tudo de melhor para meu país", afirmou ele a seus apoiadores em sua sede de campanha.

A eliminação surpreendente, que parecia impensável alguns dias atrás, também assinalou o fracasso de uma estratégia de cortejar eleitores da extrema-direita com uma retórica desagregadora e medidas duras para a imigração e o cumprimento da lei.

Nos discursos de campanha, Sarkozy prometeu proibir os trajes de banho islâmicos conhecidos como burquínis, descartou lanches escolares especiais para crianças muçulmanas --dizendo que elas deveriam receber uma porção dupla de batatas fritas quando houvesse carne de porco no menu-- e disse a imigrantes que recebiam a cidadania que seus ancestrais eram gauleses.

O ex-primeiro-ministro Alain Juppé, que enfrentará o também ex-premiê François Fillon no segundo turno da primária conservadora, havia chamado a estratégia de campanha de Sarkozy de "suicida".

Sarkozy ficou em um distante terceiro lugar com 20 por cento dos votos no domingo, atrás dos 44 por cento do inesperado líder Fillon e dos 28 por cento de Juppé, segundo resultados parciais.

Alegações de que ele recebeu fundos ocultos da Líbia, que voltaram a circular no início desta semana, também podem ter tido um papel na derrota de  Sarkozy.

"Será que você não tem vergonha de si mesmo?", perguntou ele a um jornalista que o questionou sobre as acusações durante um debate presidencial na televisão.

Mas houve quem duvidasse que Sarkozy irá realmente se aposentar.

"Vi um certo número de coisas durante minha vida política, então seria cauteloso a respeito de aposentadorias", disse o ex-premiê Jean-Pierre Raffarin, que apoia Juppé.

Sarkozy prometeu abandonar totalmente a política depois que Hollande o derrotou em maio de 2012, mas voltou à cena em setembro de 2014, citando a necessidade de resgatar a França do que descreveu como uma presidência catastrófica do socialista.

(Reportagem adicional de Richard Lough)

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