Temer mantém Geddel no cargo, mas ministro ainda está em observação

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A permanência no cargo do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, foi confirmada nesta segunda-feira, mas fontes do Palácio do Planalto informaram que a situação do ministro não é tão segura quanto o presidente Michel Temer tenta demonstrar.

O anúncio de que o presidente Temer decidiu manter o ministro no cargo, após as acusações do ex-ministro da Cultura de ter recebido pressão de Geddel para liberação de empreedimento na Bahia, foi feito pelo porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, no Palácio do Planalto.

"Em primeiro lugar, o Ministro Geddel Vieira Lima continua à frente da Secretaria de Governo da Presidência", disse o porta-voz a jornalistas.

"O presidente Michel Temer ressalta, adicionalmente, que todas as decisões sob responsabilidade do Ministério da Cultura são e serão encaminhadas e tratadas estritamente por critérios técnicos, respeitados todos os marcos legais e preservada a autonomia decisória dos órgãos que o integram, tal como ocorreu no episódio de Salvador", afirmou.

A declaração do porta-voz, feita exclusivamente para esclarecer a situação do ministro, foi acertada em uma conversa do presidente com Geddel. Incomodado com especulações sobre sua saída -inclusive feitas por colegas de ministério, como o secretário-executivo do Programa de Parcerias em Investimentos, Wellington Moreira Franco- Geddel teria pedido uma declaração mais firme do presidente.

Nos bastidores do Planalto, no entanto, a avaliação é que a situação de Geddel não é tão firme, apesar da amizade de 30 anos com Temer, e o ministro está "em observação".

"Vamos esperar o noticiário de amanhã. Em um caso como este, o que vale não é a amizade, mas o que é melhor para o governo", disse uma das fontes.

Geddel foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de o ter pressionado para interferir na liberação, pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), da construção de um empreendimento em Salvador onde tem um apartamento avaliado em 2,5 milhões de reais.

Calero creditou seu pedido de demissão às pressões do ministro e a um processo de "fritura" que Geddel teria iniciado contra ele depois da negativa definitiva do Iphan. Em entrevista à Reuters no sábado, Geddel confirmou que conversou com Calero sobre a obra, mas negou que as conversas tenham sido uma forma de pressão.

Auxiliares do presidente apontam que já começam a ser lembradas outras citações a Geddel na operação Lava Jato, quando o ministro aparece conversando com Léo Pinheiro, da OAS, e defendendo a liberação de outro empreendimento da empreiteira Cosbat, o Costa Espanha, também em Salvador. Se aparecerem outros casos, Geddel poderia se tornar um problema maior do que uma ajuda, avaliou uma outra fonte.

De acordo com outro auxiliar do presidente, Geddel terá que mostrar que tem condições de ficar no cargo, e isso dependerá dos próximos dias. Por enquanto, disse a fonte, é uma guerra de versões entre Geddel e o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero -que acusou Geddel de pressão para liberar a construção de um prédio em que tem um apartamento na capital baiana.

Auxiliares graduados de Temer já defenderam a saída do ministro. Além de Moreira Franco -que em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, em Paris, disse que não garantiria a permanência de Geddel- outras pessoas próximas a Temer defenderam a saída do ministro, alegando que sua permanência faria mal a imagem do governo.

"A maneira dele colhe muitos inimigos. Muita gente não gosta de Geddel", disse uma das fontes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos