Estudo mostra que bebês expostos ao Zika desenvolveram microcefalia após parto

Por Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) - Treze bebês brasileiros com circunferência craniana normal foram diagnosticados com síndrome de Zika congênita, e tomografias mostraram más-formações extensas, inflamação e volume cerebral reduzido, relataram pesquisadores nesta terça-feira.

Dos 13 bebês, 11 desenvolveram gradualmente a microcefalia, uma má-formação craniana, nos meses seguintes ao nascimento.

As descobertas despertam novas preocupações sobre os efeitos ocultos da exposição pré-natal ao vírus Zika, que é transmitido por mosquitos e que se provou causar problemas de nascença quando as mulheres são infectadas durante a gravidez.

Na sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o fim da emergência global de Zika porque o elo entre o vírus e a microcefalia foi confirmado. A OMS pretende continuar a estudar o Zika como uma doença infecciosa grave que irá exigir anos de pesquisa.

Embora outras pesquisas tenham observado problemas neurológicos em crianças pequenas expostas ao Zika durante a gestação, o estudo é o primeiro a documentar cuidadosamente os problemas de nascença em um grupo de bebês comprovadamente exposto ao Zika e cuja circunferência craniana se revelou normal no parto.

O estudo, publicado nesta terça-feira no relatório semanal do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos sobre mortes e doenças, foi realizado por equipes atuando em Recife e Fortaleza.

Onze das crianças nasceram com cabeças pequenas e foram encaminhadas para avaliação pouco depois do parto. As duas outras, nascidas com cabeças de circunferências normais, foram encaminhadas para avaliação entre os 5 e os 7 meses devido a problemas de desenvolvimento.

Entre os sintomas observados, 10 dos 13 bebês revelaram dificuldade para engolir, sete tiveram epilepsia, cinco mostraram algum grau de irritabilidade, nove não conseguiam mover as mãos voluntariamente e todos tiveram hipertonia, ou excesso de rigidez no tônus muscular.

Em uma teleconferência com repórteres nesta terça-feira, autoridades da OMS disseram que o fato de crianças poderem nascer com cabeças de tamanho normal e mais tarde desenvolverem microcefalia demonstra que a definição de síndrome de Zika vírus congênita – o termo que a entidade associou com defeitos de nascença relacionados ao Zika – continua a se ampliar.

O doutor Anthony Costello, especialista da OMS em saúde maternal, de recém-nascidos, crianças e adolescentes, disse que cerca de 2.100 bebês brasileiros tiveram casos confirmados de microcefalia ligada ao Zika. Ele acredita que outros 1.000 casos serão corroborados à medida que os médicos continuarem a investigar um acúmulo de casos suspeitos.

"Sabemos que o problema não acabou no Brasil", afirmou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos