Novo chefe da ONU diz que políticos estão falhando com 'perdedores da globalização'

Por Axel Bugge

LISBOA (Reuters) - O novo chefe da Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta terça-feira que os "perdedores da globalização" em países ricos se sentiram ignorados pelos políticos, o que aumentou o apoio a agendas nacionalistas, como nas eleições dos Estados Unidos e no referendo para saída do Reino Unido da União Europeia.

Antonio Guterres, eleito em outubro para assumir o cargo de secretário-geral da ONU no ano que vem, disse numa conferência em Lisboa, sua cidade natal, que essa tendência prejudicou a disposição de receber refugiados na Europa este ano.

Ele afirmou que o mundo deve restabelecer a proteção internacional para os refugiados vindos de zonas de guerra como a Síria, mas não será fácil, num momento em que os países desenvolvidos estão se voltando para agendas nacionalistas.

A Europa tem sofrido para lidar com um enorme fluxo de refugiados, muitos dos quais deslocados pela guerra na Síria. Os EUA aceitaram um número muito pequeno de refugiados e podem ter menos ainda no próximo ano.

"Em 2016, testemunhamos uma dramática deterioração desse regime de proteção internacional (para refugiados)", disse ele.

"Este exemplo começou no mundo desenvolvido, começou essencialmente na Europa, está se espalhando agora como um vírus em outras partes do mundo", completou.

Guterres, que era o alto comissariado da ONU para os refugiados até o ano passado, ligou a crescente resistência em aceitar refugiados a preocupações mais amplas sobre a globalização.

"Não acho que podemos olhar estritamente para a questão dos refugiados, acho que é um problema mais amplo", disse ele na conferência sobre a crise dos refugiados na Europa.

Houve um consenso em meados da década de 1990 de que a globalização beneficiaria a todos, afirmou ele. "Mas muitas pessoas foram deixadas para trás ... No mundo desenvolvido, (há) aqueles que foram perdedores na globalização", disse.

Donald Trump ganhou a eleição deste mês nos EUA em parte graças ao apoio de eleitores que perderam seus empregos devido a países com mão-de-obra mais barata.

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