Supremacistas brancos nos EUA causam alarme na Alemanha e em Israel

Por Noah Barkin e Luke Baker

BERLIM/JERUSALÉM (Reuters) - O governo da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, está preocupado que supremacistas brancos nos Estados Unidos estejam sendo encorajados pela eleição de Donald Trump e observa com atenção os desdobramentos, disseram importantes autoridades à Reuters.

O governo em Berlim não quis reagir de forma oficial a um vídeo circulando na internet que mostra integrantes do chamado movimento “alt-right”, um grupo que inclui neonazistas, nacionalistas brancos e antissemitas, reunidos no sábado em Washington, a poucos quarteirões da Casa Branca.

Contudo, uma autoridade próxima a Merkel descreveu o vídeo, que mostra um orador gritando “Heil Hitler” e membros da plateia fazendo a saudação nazista, de “repulsivo e preocupante”.

"Eu não acho que isso é ideologia de Trump porque ele parece ser em grande parte livre de ideologias. No entanto, essas pessoas estão pegando carona nele. Estamos observando isso com muita atenção”, disse a autoridade, pedindo anonimato.

Yair Lapid, um integrante do comitê de defesa e relações exteriores do Parlamento israelense, chamou o vídeo de “repugnante” e “intolerável”.

"Um dos grandes erros que a humanidade já cometeu foi não reconhecer o perigo do fascismo logo cedo e combatê-lo de frente”, declarou Lapid. “Não podemos deixar a história se repetir.”

Um porta-voz da equipe de transição de Trump afirmou na segunda-feira que Trump “continuava a denunciar todo tipo de racismo” e havia sido eleito para ser “um líder para todos os norte-americanos”.

Trump, que tem estado ativo no Twitter nos últimos dias, não comentou diretamente ele mesmo sobre a reunião. Ela ocorreu dias depois de ele revoltar muitos democratas, ativistas e minorias ao indicar Steve Bannon, que chefiava um site ligado ao “alt-right”, como o seu estrategista-chefe na Casa Branca.

No vídeo, feito dentro da conferência e divulgado pela revista The Atlantic, Richard Spencer, líder do movimento “alt-right”, diz que os EUA pertencem às pessoas brancas, descritas por ele como “filhas do sol”. Ele chama os críticos do movimento como “as mais desprezíveis criaturas que já andaram no planeta”.

"Heil Trump, heil o nosso povo, heil a vitória!", grita Spencer em determinado momento, enquanto pessoas na audiência levantam o braço na saudação nazista.

O encontro no sábado provocou protestos que bloquearam o tráfego em volta do edifício Ronald Reagan, um centro de conferências federal em Washington para uso público e privado.

Na Alemanha, o uso da saudação “Heil Hitler” e outros símbolos nazistas são ilegais e podem resultar em prisão. Outros países europeus têm leis similares.

Uma segunda autoridade do governo alemão afirmou que a decisão de Trump de trazer Bannon para a Casa Branca mostra que ele não estava “disposto a abdicar do movimento e da mobilização de raiva e ressentimento” que o levou à Presidência.

David Keyes, porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, em resposta a uma pergunta da Reuters, que o premiê “condena o antissemitismo em todos os lugares e aprecia a crítica do presidente eleito Trump a todas as formas de racismo”.

(Reportagem adicional de Alissa de Carbonnel e Maayan Lubell)

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