Bovespa fecha praticamente estável, com movimento de ajuste limitado por ganhos da Vale

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista fechou praticamente estável nesta quarta-feira, com os ganhos da Vale ajudando a ofuscar o movimento de ajuste que perdurou na maior parte do pregão após as altas recentes.

O Ibovespa fechou com variação positiva de 0,05 por cento, aos 61.985 pontos, após acumular ganhos de 3,65 por cento nos três pregões anteriores.

O volume financeiro somou 7,07 bilhões de reais, abaixo da média diária para o mês, de 8,86 bilhões de reais, número inflado pelo forte giro registrados nos pregões logo após a eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos. O giro também ficou abaixo da média diária para o ano, de 7,29 bilhões de reais.

Segundo operadores, a véspera do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos ajudou a esvaziar o pregão local, diminuindo a liquidez dos negócios, enquanto investidores evitaram grandes movimentos também de olho em desdobramentos políticos locais.

Na véspera, o governo federal fechou acordo para que os Estados façam ajuste em suas contas, em troca de recursos da repatriação. Embora operadores vejam como positiva a amarração de apoio político para aprovação de medidas econômicas no Congresso Nacional, eles destacam que a situação fiscal dos Estados deixa clara a dificuldade de ajustes interno.

Os receios sobre efeitos de operação Lava Jato sobre o governo do presidente Michel Temer e o andamento das reformas necessárias para retomada da economia também voltaram à tona, após a informação de que os acordos de delação premiada com executivos da empreiteira Odebrecht foram finalizados e devem ser assinados até a quinta-feira.

DESTAQUES

- VALE PNA subiu 1,29 por cento e VALE ON teve valorização de 1,44 por cento, com nova alta nos preços do minério de ferro na China e ampliando o movimento recente de ganhos dos papéis. As ações PNA da mineradora avançaram 12 por cento nos dois pregões anteriores, o que abriu espaço para alguma tentativa de realização ao longo este pregão, levando as ações a caírem 1,7 por cento no pior momento da sessão.

- FIBRIA subiu 2,71 por cento e SUZANO PAPEL E CELULOSE PNA avançou 1,28 por cento, entre os destaques positivos do Ibovespa, mantendo a tendência da véspera, após as empresas anunciarem reajustes no preço de celulose para a Ásia.

- USIMINAS PNA subiu 7,6 por cento, entre as maiores altas do Ibovespa, após a empresa confirmar o aumento nos preços de aço a partir do início de dezembro em 9 a 12 por cento.

- ITAÚ UNIBANCO caiu 0,92 por cento, ajudando a pressionar o Ibovespa devido ao peso em sua composição. A queda veio a despeito da melhora do preço-alvo das ações pelo BTG Pactual, para 42 reais ante 37 reais. Já BRADESCO PN subiu 0,44 por cento, após ter oscilado entre leves altas e baixas ao longo do pregão. No radar estava a melhora do BTG Pactual na recomendação para as ações do Bradesco para compra ante neutra e elevação do preço-alvo para 35 reais.

- KROTON teve baixa de 3,16 por cento. A empresa está avaliando se desfazer de todo o negócio de ensino a distância (EAD) da ESTÁCIO para obter aval do Cade para a aquisição da empresa, segundo fontes. As ações da Estácio perderam 3 por cento.

- COSAN recuou 1,39 por cento, tendo como pano de fundo o acordo com a Shell para alterar as condições de participação de ambas na empresa de combustíveis Raízen, modificando termos de opções de compra e venda de ações.

- BRASKEM teve desvalorização de 3,63 por cento, entre os destaques negativos do Ibovespa. Segundo operadores, o papel foi pressionado por receios de envolvimento em delações premiadas no âmbito da Lava Jato. Executivos da Odebrecht, dona da Braskem, devem assinar até quinta-feira os acordos de delação com a Procuradoria-Geral da República.

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