Presidente da Venezuela classifica condenação de sobrinhos como "imperialismo dos EUA"

Por Girish e Gupta

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na sexta-feira que os Estados Unidos condenaram sobrinhos de sua esposa sob acusações ligadas a drogas na semana passada para enfraquecer o seu governo de esquerda.

Dois sobrinhos da primeira-dama da Venezuela foram condenados mais cedo neste mês em um julgamento com júri sob acusações de que tentaram realizar um negócio multimilionário em dólares ligado a drogas para obter um grande volume de dinheiro e ajudar sua família a permanecer no poder.

Em seus primeiros comentários desde a condenação, Maduro criticou o que afirmou ser um claro sinal de "imperialismo dos EUA".

"Você acredita ser por acaso o fato de os imperialistas terem criado um caso que tinha como único objetivo atacar a primeira-dama, a primeira combatente, a mulher do presidente?" disse Maduro em um discurso que durou horas durante uma "Marcha das Mulheres" em Caracas, acusando Washington de tentar enfraquecer sua administração.

O caso tem sido um constrangimento para o líder de esquerda em meio a uma crise econômica no país rico em petróleo, que deixou milhões de pessoas passando fome porque não conseguem encontrar ou pagar o preço da comida. O caso foi um de vários em que procuradores norte-americanos conectaram indivíduos ligados ao governo venezuelano ao tráfico de drogas.

A oposição na Venezuela tomou o caso como evidência de que os altos escalões do governo estão envolvidos com narcóticos, e exigiu uma explicação completa e investigações.

Mas a condescendente mídia estatal mal tocou no caso em meio a um amplo silêncio de órgãos oficiais.

Franqui Francisco Flores de Freitas, 31 anos, e Efrain Antonio Campo Flores, de 30 anos, sobrinhos de Cilia Flores, mulher de Maduro e importante figura na política do país, foram condenados por um júri federal em Manhattan pela acusação de conspirar para importar cocaína para os Estados Unidos.

Os dois foram presos no Haiti em novembro de 2015 e levados aos EUA após uma operação orquestrada pela Administração Para o Controle de Drogas dos EUA. Procuradores afirmaram que os dois homens planejaram usar um hangar presidencial do aeroporto da Venezuela para enviar 800 quilos de cocaína a Honduras para posterior envio aos EUA.

Os EUA e a Venezuela têm uma relação difícil desde a eleição do falecido Hugo Chávez para comandar o país em 1998, tendo atingido seu ponto mais baixo quando Chávez chamou George W. Bush de "diabo" em 2006.

Maduro culpa frequentemente os EUA por realizar uma "guerra econômica" contra a Venezuela.

O governo dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.

Durante o discurso de sexta-feira, Maduro também elogiou o presidente da Síria, Bashar al-Assad, culpando os EUA pelos combates no país, antes de uma garota de 8 anos cantar uma versão de "Bate o Sino" em louvor a Chávez.

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