Mais da metade de mortos em acidente da Chapecoense é identificada; gravação revela falta de combustível

Por Julia Symmes Cobb e Brad Haynes

MEDELLÍN, Colômbia/CHAPECÓ (Reuters) - Médicos legistas identificaram nesta quarta-feira as primeiras 45 das 71 pessoas que morreram na queda do avião que levava a equipe da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana na Colômbia, enquanto os seis sobreviventes do desastre aéreo continuam hospitalizados e a cidade de Chapecó se prepara para um velório coletivo na Arena Condá.

Somente seis pessoas --três jogadores, um jornalista e dois tripulantes-- sobreviveram ao acidente ocorrido na noite de segunda-feira, quando o avião que transportava a delegação do time catarinense se chocou contra uma área montanhosa no noroeste da Colômbia.

Os sobreviventes estavam sendo atendidos em hospitais locais. Segundo a Chapecoense, ainda não há estimativa de alta. Entre os jogadores, o goleiro Jakson Follmann se recupera de uma amputação da perna direita e tem a situação mais grave, disse o clube catarinense. O zagueiro Hélio Neto seguia sob cuidados intensivos por trauma severo no crânio, tórax e pulmões. O lateral Alan Ruschel passou por cirurgia de coluna.

Investigadores brasileiros viajaram à Colômbia para se juntar às autoridades locais e revisar as caixas-pretas do avião da companhia Lamia, que foram encontradas no local do acidente, próximo à cidade de La Unión. A Bolívia, onde fica a sede da empresa Lamia, e o Reino Unido também enviaram especialistas para colaborar com a investigação.

Uma das principais hipóteses das investigações é que o avião British Aerospace Avro RJ85 ficou sem combustível e a tripulação tentou aterrissar, mas caiu a 17 quilômetros da pista. A aeronave não explodiu nem se incendiou e no lugar do impacto não foram encontrados resíduos de combustível.

A tripulação do avião que transportava o time da Chapecoense na Colômbia pediu desesperadamente ajuda à torre de controle para aterrissar devido à escassez de combustível e tentou encontrar a pista antes de cair, disse um copiloto de outra aeronave.

"De repente, foi dito ao controlador: solicitamos prioridade para deslocamento à pista, solicitamos prioridade para passar localizador, temos problemas de combustível", disse Juan Sebastián Upegui, copiloto de um avião da companhia aérea Avianca que estava próximo de aterrissar no momento do acidente.

INSTRUÇÕES

Outro sobrevivente, o técnico de voo Erwin Tumiri, da Bolívia, disse que saiu com vida por ter seguido as instruções de segurança.

"Muitos passageiros se levantaram de seus assentos e começaram a gritar. Eu coloquei a bolsa entre minhas pernas e entrei em posição fetal, como recomendado", disse à Rádio Caracol, da Colômbia.

A comissária boliviana Ximena Suárez, outra sobrevivente, disse que as luzes se apagaram menos de um minuto antes de o avião colidir com as montanhas, de acordo com autoridades colombianas em Medellín.

Médicos disseram que Ximena e Tumiri estavam abalados e feridos, mas não em condição grave, enquanto o jornalista brasileiro Rafael Valmorbida estava na UTI devido a múltiplas fraturas nas costelas, que prejudicaram um pulmão.

CHAPECÓ DE LUTO

Na cidade de Chapecó, no interior de Santa Catarina, representantes da Chapecoense, da polícia e do Corpo de Bombeiros realizaram nesta quarta-feira um simulado para o transporte dos corpos de vítimas do acidente aéreo.

A Chapecoense está preparando um velório coletivo em seu estádio para que os torcedores possam ficar o mais perto possível na despedida de seus ídolos e prevê que cerca de 100 mil pessoas passem pela Arena Condá.

O time colombiano Atlético Nacional, adversário da Chapecoense na final da Sul-Americana, pediu aos organizadores do campeonato que o título do torneio seja entregue à equipe catarinense como forma de homenagem às vítimas da tragédia.

No horário do jogo, na noite desta quarta, houve homenagens de milhares de torcedores nos estádios de Medellín e Chapecó.

O presidente Michel Temer decretou luto oficial de três dias no país.

A tragédia destruiu o sonho de um time sem tradição que vivia a melhor temporada de sua história, com direito a vitórias sobre gigantes do esporte na caminhada até a sua primeira final internacional.

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