Chapecoense quer manter atitude humilde e evitar excessos na reconstrução do clube

Por Brad Haynes

CHAPECÓ (Reuters) - Para a Chapecoense, que perdeu quase todos os seus jogadores num acidente aéreo nesta semana, o desafio pela frente não é só montar um novo time de futebol, mas reconstruir uma cultura que fez o clube ter êxito apesar do orçamento apertado e das poucas estrelas.

Grandes clubes do futebol mundial, do Benfica ao Barcelona, ofereceram jogadores e a disputa de partidas para ajudar a Chapecoense, mas os dirigentes do clube tomado pelo luto dizem que a chave para a recuperação será permanecer humilde e evitar os excessos das grandes equipes brasileiras.

"Não queremos ninguém com pena da Chapecoense”, afirmou Victor Hugo Nascimento, um dos poucos da comissão técnica que não estava no voo. “Qualquer ajuda é bem-vinda, mas o que realmente queremos é reconstruir com a mesma dignidade que nos trouxe até aqui.”

Nascimento disse que o clube permaneceria seletivo na escolha do seu pessoal, apesar do grande número de ofertas que está chegando.

"Não precisamos de uma grande estrela”, afirmou. “Temos que manter o perfil que o time tinha. Ninguém está reinventando nada.”

A estratégia inclui um orçamento equilibrado, mesmo em tempos difíceis, para evitar a dívida que quase arruinou a Chapecoense há uma década, disse o presidente em exercício do clube, Ivan Tozzo.

Ele ajudou a levar o time da quarta para a primeira divisão em seis anos.

Dos cinco principais diretores do clube, Tozzo e um colega foram os únicos que não estavam no voo que caiu na Colômbia na segunda-feira à noite, quando o time viajava para disputar a final da Copa Sul-Americana, o maior jogo da história do clube.

"Perdemos atletas. Perdemos diretores. Perdemos pessoas. Mas esse clube é bem estruturado”, afirmou ele. “Nunca gastamos mais do que tínhamos. Sempre tomamos decisões de forma coletiva.”

Os jogadores da Chapecoense criaram uma ligação rara com Chapecó, cidade de 200 mil habitantes, uma vez que o clube misturou talentos jovens locais com jogadores rodados e subvalorizados que traziam as famílias para a cidade e permaneciam após a aposentadoria.

Mesmo se times do Brasil e do mundo emprestarem jogadores de graça, como muitos prometeram, vai levar tempo para que o clube restaure essa cultura, de acordo com o ex-jogador Éverton Costa, que era amigo de muitos que morreram no acidente.

"Isso era, isso é, um clube família”, disse ele. “Era um grupo sólido. As pessoas se conheciam muito bem. E agora você vai pegar um jogador daqui, um jogador de lá. Para reconstruir tudo aquilo vai ser difícil.”

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