Aviões da FAB trazem ao Brasil vítimas de acidente aéreo da Chapecoense

Por Jaime Saldarriaga e Fredy Builes

MEDELLÍN, Colômbia (Reuters) - Três aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) decolaram de Medellín, nesta sexta-feira, para trazer de volta ao país os corpos das dezenas de pessoas que morreram no acidente aéreo que levava o time da Chapecoense para a Colômbia.

Na volta, as aeronaves farão escala em Manaus e têm previsão para chegada à Chapecó na manhã de sábado, informou a FAB, quando haverá uma cerimônia no aeroporto com a presença do presidente Michel Temer, que entregará uma condecoração aos familiares dos que morreram na tragédia.

O desastre ocorrido na noite de segunda-feira matou 71 pessoas e chocou torcedores de futebol de todo o mundo. Aparentemente o avião BAe 146, da empresa aérea boliviana Lamia, ficou sem combustível, perdeu a energia elétrica e se preparava para um pouso de emergência quando colidiu com as montanhas.

Só seis pessoas a bordo sobreviveram, entre elas três jogadores do clube catarinense, que seguia para disputar a maior partida de sua história: o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional de Medellín.

Dezenas de carros funerários transportaram os caixões com os corpos de 64 brasileiros, cinco bolivianos, um paraguaio e um venezuelano para uma base militar perto do aeroporto José María Córdova, de onde foram enviados para os seus países de origem.

Dezenas de pessoas permaneceram nas ruas de Medellín para homenagear as vítimas, balançando lenços brancos, no trajeto até o terminal aéreo, onde receberam honras militares.

Os corpos dos cidadãos bolivianos foram transportados em um avião militar da força aérea desse país, enquanto os 14 jornalistas brasileiros foram repatriados em voos privados, contratados pelas empresas para as quais trabalhavam.

Os caixões com os corpos dos outros 50 brasileiros, incluindo os jogadores e membros da comissão técnica da Chapecoense, foram colocados em três aviões militares C-130 Hércules para a viagem ao Brasil. Os caixões foram cobertos com bandeiras brancas que tinham o escudo verde da Chapecoense e a frase em letras pretas "campeões para sempre".

"Estamos encerrando uma operação dolorosa e humanitária com o repatriamento de todos os corpos", disse a repórteres Carlos Iván Márquez, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres.

ESTRUTURA EM CHAPECÓ

Na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, operários montaram estruturas temporárias no estádio da Chapecoense para abrigar os caixões, em um cerimonial que conta com 300 pessoas na organização.

Segundo a Chapecoense, a segurança no local inclui contingente formado por 150 policiais militares, 60 bombeiros, 300 oficiais do Exército, entre outros profissionais.

Cerca de 100 mil torcedores, aproximadamente metade da população local, devem comparecer, assim como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o técnico da seleção brasileira, Tite, entre outras autoridades.

Roberto Di Marchi foi à Colômbia para escoltar o corpo de seu primo, Nilson Folle Junior, diretor da Chapecoense de 29 anos, de volta para casa.

"Ele sempre viajava com o time, para todos os jogos, ele era uma pessoa fantástica, era muito dedicado e amava a Chapecoense", disse Di Marchi na casa funerária, acrescentando que o pai de Nilson foi um dos fundadores da equipe.

Dois tripulantes bolivianos e um jornalista também sobreviveram, assim como três jogadores. Todos continuam hospitalizados.

Duas caixas-pretas recuperadas no local da queda, uma região montanhosa perto da cidade de La Unión, devem ser enviadas nesta semana para serem examinadas por especialistas do Reino Unido, onde o avião foi fabricado.

Autoridades de aviação da Colômbia disseram que a ausência de combustível no cenário do desastre e na tubulação da aeronave indica que o avião ficou totalmente sem combustível.

A investigação inicial confirmou as palavras finais do piloto boliviano Miguel Quiroga à torre de controle do aeroporto de Medellín, registradas em uma gravação cheia de ruídos que foi obtida pela mídia colombiana.

É possível ouvi-lo dizendo à torre que o avião estava "em pane total, falha elétrica total, sem combustível".

O controle de tráfego aéreo pediu ao piloto da Lamia que esperasse enquanto outra aeronave fazia um pouso de emergência. Os regulamentos internacionais de aviação exigem que os aviões levem combustível reserva suficiente para voar durante 30 minutos depois de chegarem a seu destino.

O piloto da Lamia solicitou permissão urgente para aterrissar antes de o áudio ficar em silêncio.

Na quinta-feira, as autoridades bolivianas suspenderam a licença de operação da Lamia.

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