CPI do Futebol termina e dois relatórios são enviados a órgãos de investigação

(Reuters) - A CPI do Futebol foi encerrada nesta quarta-feira após um ano e cinco meses de trabalho com dois relatórios apresentados, um deles aprovado pela comissão e outro paralelo, elaborado pelo senador Romário (PSB-RJ), que agora serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Federal.

O relatório final elaborado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi aprovado pela comissão e não pede nenhum indiciamento, ao contrário do documento apresentado por Romário, que era presidente da CPI, e pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no dia 23.

Romário afirmou que não se considerava "satisfeito" com a aprovação de um relatório que não prevê nenhuma sugestão de indiciamento, informou a Agência Senado. O ex-jogador acredita que a CPI teria um "grande final" se aprovasse os dois relatórios conjuntamente, o que não aconteceu por rejeição do relator Jucá, que não concordava com os indiciamentos.

“Não se pode afirmar que o trabalho da CPI terminou em pizza. Claro que a aprovação do relatório tem um peso, pois mostra que os senadores têm compromisso com questões de interesse público", disse Romário em comunicado divulgado em seu site, acrescentando que o trabalho da CPI comprova crimes praticados por altos executivos do futebol.

"Cabe agora ao Ministério Público e a Polícia Federal aprofundar e concluir as investigações. Se assim o fizerem, tenho certeza que essas pessoas serão formalmente processadas e podem ir para a cadeia”, acrescentou.

Os senadores apoiaram o encaminhamento do relatório paralelo ao Ministério Público. Nele, Romário pediu o indiciamento do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo del Nero, e dos ex-presidentes da entidade Ricardo Teixeira e José Maria Marin, além de outras seis pessoas.

Para o senador do Rio, há uma “organização criminosa que tomou conta do futebol”.

A investigação da CPI começou em maio de 2015, depois de uma operação policial na Suíça que prendeu Marin e outros oito dirigentes de futebol acusados por autoridades dos Estados Unidos de conspiração e corrupção. Seis meses depois, outras 16 pessoas foram indiciadas na Justiça norte-americana.

Del Nero, que comanda a CBF desde abril do ano passado, foi um dos indiciados e também está sendo investigado pelo comitê de ética da Fifa. Ele deixou a Suíça poucas horas depois da operação e não viaja para fora do Brasil desde então.

Marin está atualmente sob prisão domiciliar em Nova York.

(Por Tatiana Ramil, em São Paulo)

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