Dólar passa a cair ante real por disparada nos preços do petróleo

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar abandonou a alta vista mais cedo e passou a operar em queda ante o real nesta segunda-feira, influenciado pelo comportamento da moeda norte-americana no exterior diante da forte valorização dos preços do barril do petróleo.

O cenário político brasileiro conturbado fez com que, mais cedo, o dólar subisse mais de 1 por cento sobre o real.

Às 12:26, o dólar recuava 0,59 por cento, a 3,3530 reais na venda, depois de marcar 3,4090 reais na máxima do dia, alta de mais de 1 por cento. O dólar futuro caía cerca de 0,85 por cento.

Na semana passada, a moeda norte-americana acumulou perda de 2,87 por cento ante o real.

"O mercado internacional influenciou a virada do dólar, ajudado pelo leilão de swap do Banco Central", comentou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel, ao destacar o avanço do petróleo.

No exterior, os preços do petróleo tinham forte alta. Os contratos futuros da commodity chegaram a subir 6,5 por cento, atingindo máxima de 18 meses, após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e alguns de seus rivais chegarem ao seu primeiro acordo desde 2001 para reduzir conjuntamente a produção, tentando combater o excesso de oferta global e aumentar os preços.

O dólar recuava sobre os pesos mexicano e chileno.

Ajudava também na queda do dólar a conclusão da rolagem, feita pelo BC brasileiro nesta sessão, dos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, que vencem em janeiro e equivalentes a 5 bilhões de dólares. No leilão de mais cedo, vendeu 9.995 swaps.

O próximo lote vence em 1º de fevereiro, correspondente a 6,431 bilhões de dólares. No total, o estoque total de swaps tradicionais está em 26,559 bilhões de dólares, segundo dados do BC.

Mais cedo, o dólar avançou com força sobre o real após o vazamento de delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho, que citou recursos repassados a líderes peemedebistas.

Foram citados o presidente Michel Temer, o ministro Eliseu Padilha, o secretário Moreira Franco, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), o presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (RR).

"A delação atinge Temer e seus principais ministros, o que pode prejudicar sua governabilidade e dificultar a aprovação de medidas", comentou mais cedo o agente autônomo da assessoria de investimentos Criteria, Felipe Favero.

Só nesta semana, o governo tem importantes votações no Congresso, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento do gasto público em segundo turno no Senado, na terça-feira.

Além disso, a desaprovação ao governo Temer subiu para 51 por cento em dezembro, ante 31 por cento em julho, acompanhada da queda na confiança na economia, segundo pesquisa Datafolha divulgada na véspera. O levantamento foi realizado entre 7 e 8 de dezembro, antes de surgirem detalhes de delação da Odebrecht.

"Uma votação apertada da PEC do teto pode deixar os investidores ainda mais preocupados", comentou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

O mercado também estava de olho na reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, na quarta-feira, com apostas amplamente majoritárias de que elevará os juros da maior economia do mundo. Importante também será a indicação de novos possíveis movimentos, após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, que alimentou as preocupações de que sua política econômica será inflacionária e pode pressionar o Fed a elevar ainda mais os juros.

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