Novos ataques de Trump a contratos de defesa prenunciam guerra contra indústria do setor

Por Alwyn Scott

SEATTLE (Reuters) - Donald Trump ampliou o seu ataque contra empresas do setor de defesa que têm contratos com o governo, chamando o programa dos caças F-35 da Lockheed Martin de caros demais, ao mesmo tempo que assessores do presidente eleito dos Estados Unidos disseram que ele pretende continuar pressionando por cortes nos custos de equipamentos militares.

O mais recente ataque de Trump via Twitter fez com que as ações do setor de defesa tivessem queda e alimentou as preocupações de que o próximo governo pode reduzir as margens de lucro das empresas contratadas e cortar os gastos federais, ameaçando empregos no setor, mesmo com Trump prometendo aumentar o emprego industrial.

"O programa e os custos do F-35 estão fora de controle”, disse Trump pelo Twitter, lembrando as promessas de campanha de cortar desperdícios nos gastos federais. “Bilhões de dólares podem e serão economizados em compras militares (e outras) depois de 20 de janeiro.”

Na semana passada, Trump disparou contra a Boeing com tuítes sobre custos “fora de controle” relacionados aos novos aviões Air Force One, pedindo ao governo federal: “Cancele a encomenda!”.

O foco do novo governo vai ser provavelmente “de alcance amplo e terá impacto em todo o governo, à medida que buscamos acordos melhores", disse Jason Miller, porta-voz da equipe de transição de Trump.

"Vamos buscar oportunidades de reavaliar e garantir que não estão tirando vantagem de nós.”

A mensagem de Trump sobre o F-35 atraiu o apoio do presidente do Comitê do Senado sobre Serviços Armados, John McCain, que no passado apoiou o caça. Ao mesmo tempo que um presidente não pode cancelar um programa depois que os recursos foram alocados, ele pode comprar menos.

"Ele pode reduzir a compra com o tempo, no ano que vem, enquanto olhamos isso de novo”, disse McCain à Reuters.

Contudo, os comentários de Trump desagradaram outros no Congresso. O senador Richard Blumenthal, um democrata de Connecticut, casa do fabirancante do motor do F-35, a Pratt & Whitney, disse que o programa gera 2.000 empregos na Pratt e outros milhares em fornecedores.

"A sugestão de que os custos estão fora de controle é simplesmente errada”, disse ele. Trump deve “aprender mais sobre os fatos” antes de discutir “cortes arbitrários no programa”, acrescentou. “Ele é o presidente eleito. O que ele diz importa.”

As ações da Lockheed caíram 2,5 por cento, depois de terem registrado mais cedo queda de 5,4 por cento. Ações da General Dynamics, Northrop Grumman, BAE e Raytheon também caíram, enquanto as da United Technologies e da Boeing tiveram pequena alta.

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