Batalha de Aleppo termina após anos de combates; rebeldes concordam com retirada

Por Laila Bassam e Stephanie Nebehay

ALEPPO, Síria/GENEBRA (Reuters) - A resistência dos rebeldes na cidade síria de Aleppo terminou nesta terça-feira, depois de anos de combates e meses de bombardeios e cerco intenso que culminaram com o colapso sangrento de suas defesas nesta semana, e os insurgentes concordaram em bater em retirada em meio a um cessar-fogo.

Autoridades rebeldes disseram que a luta irá acabar na noite desta terça-feira e que os combatentes e civis aprisionados no minúsculo bolsão de território que mantêm em Aleppo irão deixar a cidade e ir para áreas do interior no oeste controladas pela oposição.

A notícia do acordo, confirmada pelo enviado da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), veio depois de a ONU expressar profunda preocupação com relatos que recebeu sobre soldados sírios e milicianos iraquianos aliados que teriam executado sumariamente 82 pessoas em bairros recapturados de Aleppo, acusando-os de terem cometido uma "matança".

"Minha informação mais recente é que eles de fato obtiveram um arranjo no local segundo o qual os combatentes irão deixar a cidade", disse o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, aos repórteres, e que isso pode acontecer "talvez dentro de horas".

Uma fonte militar síria confirmou nesta terça-feira que um acordo de cessar-fogo foi alcançado em Aleppo e disse que a saída de combatentes rebeldes começaria às 5h de quarta-feira.

Uma rendição ou retirada dos rebeldes de Aleppo significaria o fim da rebelião na cidade, a maior da Síria até a irrupção da guerra, desencadeada na esteira de protestos em massa em 2011.

Ao finalmente apagar as últimas brasas de resistência ainda ardendo em Aleppo, a coalizão do presidente sírio, Bashar al-Assad, composta pelo Exército, o poderio aéreo de Moscou e milícias apoiadas pelo Irã, terá garantido sua maior vitória no campo de batalha do conflito.

Apesar do fato de que os rebeldes – incluindo grupos apoiados por Estados Unidos, Turquia e monarquias do Golfo Pérsico, assim como facções jihadistas que o Ocidente não endossa – vão sofrer uma derrota arrasadora em Aleppo, a guerra está longe de terminar.

"O aniquilamento de Aleppo, o fardo incomensuravelmente terrível sobre seu povo, o derramamento de sangue, a matança inconsequente de homens, mulheres e crianças, a destruição – e não estamos nem perto do fim deste conflito cruel", disse o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, em um comunicado.

A debandada dos rebeldes de seu território cada vez menor em Aleppo desencadeou uma fuga em massa de civis e insurgentes mesmo sob os rigores do inverno, uma crise que a ONU classificou como um "colapso completo da humanidade".

"Os relatos que tivemos foram de pessoas sendo baleadas em plena rua ao tentar fugir e baleadas em suas casas", disse Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnud). "Pode haver muitas mais."

O Exército sírio e seus aliados podem declarar vitória a qualquer momento, afirmou uma fonte militar síria, prevendo a queda final do enclave rebelde para esta terça-feira ou a quarta-feira, já que as defesas dos insurgentes desmoronaram na segunda-feira.

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