Goleiro da Chapecoense volta ao Brasil após acidente e médico comemora "primeiro gol"

SÃO PAULO (Reuters) - O primeiro dos quatro brasileiros sobreviventes do acidente com o avião da Chapecoense na Colômbia a voltar ao Brasil, o goleiro Jackson Follmann, desembarcou na madrugada desta terça-feira em São Paulo, onde continuará sua recuperação no hospital Albert Einstein.

Um avião com UTI móvel levou o jogador de Medellín para o aeroporto de Congonhas, com escala em Manaus para reabastecimento.

Segundo o médico da Chapecoense, Marcos André Sonagli, ainda é cedo para comemorar a vitória, já que somente um dos quatro sobreviventes retornou ao Brasil.

"Nesse momento a gente está comemorando o primeiro gol. Nós temos que ganhar de 4 x 0. A partir do momento que a gente traz nossos quatro sobreviventes de volta, os três jogadores e jornalista Rafael Henzel, a gente pode realmente comemorar a vitória", disse a jornalistas na frente do hospital.

"Hoje foi o primeiro gol. Espero que nos próximos dias a gente faça o segundo, o terceiro e o quarto".

Follmann teve parte da perna direita amputada na Colômbia devido ao acidente aéreo, mas fez uma boa viagem de volta ao Brasil, segundo Sonagli.

"Follmann foi medicado obviamente pela questão da dor que ele tem, da fratura na segunda vértebra cervical, pela amputação, mas isso é a mesma medicação que ele vinha fazendo, ele não teve nenhuma dor adicional por conta do voo", afirmou.

O acidente ocorrido no fim de novembro matou 71 pessoas após o avião aparentemente ficar sem combustível, gerando comoção na comunidade global do futebol e dúvidas sobre o motivo da aeronave ter tentado fazer o voo possivelmente com menos combustível do que a quantidade exigida. Além dos quatro brasileiros, dois tripulantes bolivianos também sobreviveram.

O jornalista Rafael Henzel e o lateral Alan Ruschel são esperados para voltar ao Brasil na quarta-feira.

"O quadro clínico tanto do Rafael quanto do Alan é o quadro clínico mais estável que a gente tem. Ele e o Rafael serão transferidos amanhã diretamente a Chapecó, eles não irão a São Paulo", disse o médico, acrescentando que ambos ficarão sob cuidados em hospital da cidade por cerca de três dias.

Já o zagueiro Neto passou por uma situação crítica nos últimos cinco dias e permanece hospitalizado na Colômbia, segundo o médico. Ele não se lembrava do acidente e soube mais detalhes na manhã da segunda-feira. Neto achava que tinha sofrido uma lesão na cervical durante uma partida.

"Ele me via e perguntava: 'foi tão fatal assim'? Pela recuperação dele... a gente optou por não conversar com ele sobre isto abertamente até que chegasse o momento. E hoje chegou o momento. Isto é uma questão pessoal".

O avião da Chapecoense bateu em montanhas perto de Medellín durante viagem para disputar a partida de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, no que seria o maior jogo da história do time catarinense. A Chapecoense foi declarada campeã do campeonato a pedido do Atlético.

(Reportagem de Pablo Garcia, em São Paulo, e Caio Saad, no Rio de Janeiro)

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