Moradores de Aleppo temem prisão e morte

Por Laila Bassam e Lisa Barrington

ALEPPO/BEIRUTE (Reuters) - À medida que o cerco de quatro meses no leste de Aleppo se aproximava do final, alguns sobreviventes caminhavam na chuva, passando por pessoas mortas, para o oeste controlado pelo governo ou para os poucos distritos ainda nas mãos dos rebeldes. Outros permaneciam nas suas casas e esperavam pela chegada do Exército sírio.

Para todos eles, o medo da prisão, recrutamento ou execução sumária se somou ao terror diário do bombardeio.

"As pessoas estão dizendo que as tropas têm listas das famílias dos combatentes e estão perguntando se elas têm filhos juntos dos terroristas. Elas são então deixadas ou alvejadas e deixadas para morrer”, disse Abu Malek al-Shamali em Seif al-Dawla, uma das últimas áreas rebeldes.

As Nações Unidas disseram que tinham relatos de que as tropas do governo sírio e as aliadas milícias iraquianas haviam matado civis no leste de Aleppo, incluindo 82 pessoas em quatro diferentes áreas nos últimos dias.

Falando de uma área pequena ainda sob o controle dos rebeldes, o pai de cinco filhos Abu Ibrahim disse que sabia de duas famílias executadas por milícias que faziam parte da vanguarda do ataque contra a segunda cidade síria.

As Nações Unidas também disseram que estão preocupadas com relatos de que centenas de homens jovens deixando território rebelde haviam sido detidos.

Os adversários dos presidente Bashar al-Assad acusaram o governo de prisão em massa e recrutamento forçado. O governo negou e acusou os rebeldes de obrigar homens a lutar com eles.

No domingo, jornalistas estrangeiros foram convidados para uma cerimônia na qual o Exército sírio alistou 220 homens, incluindo ex-rebeldes e outros de áreas capturadas pelo governo.

"Você foi chamado para o serviço obrigatório”, afirmou o brigadeiro Habib Safia aos homens na sede da polícia militar num distrito de Aleppo controlado pelo governo.

Um dos homens, Mohammed Hilal, na casa dos 20 anos, afirmou que ele e alguns companheiros escaparam do leste com mais de 60 famílias e que ele estava pronto para se juntar ao Exército.

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