Renan acusa Janot de fazer política e de promover "vendetta" contra Senado

(Reuters) - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou nesta terça-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de fazer política e de promover uma "vendetta" contra o Senado ao denunciar o parlamentar no âmbito da Lava Jato.

Segundo Renan, Janot está reagindo ao fato de os senadores terem rejeitado três nomes ligados ao Ministério Público para postos no Conselho Nacional do Ministério Público e no Conselho Nacional de Justiça.

“O Ministério Público infelizmente passou a fazer política. Só política. Quando você faz política, você perde a condição definitivamente de ser o fiscal da lei”, disse Renan, segundo o site da presidência do Senado.

“Depois que o procurador Janot colocou na força-tarefa três membros do MP rejeitados pelo Senado para o Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça, isso, por si só, já demonstra o que ele está querendo fazer com o Senado", acrescentou.

Janot denunciou Renan ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de receber propina e de lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, que investiga um bilionário esquema de corrupção na Petrobras. [nL1N1E711R]

Renan classificou as acusações contra ele de "absurdas" e disse que a denúncia da PGR contra ele foi feita "nas coxas".

“São denúncias apressadas, feitas nas coxas, que demonstram o caráter político do Ministério Público, de vendetta, de vingança, porque o Senado rejeitou os três nomes", disparou Renan.

"Essa denúncia vai ter o mesmo destino das outras denúncias: será arquivada. Nunca cometi crime, irregularidade e sempre tive muito cuidado com a minha vida pública e com a minha vida pessoal.”

Renan já é réu no STF em uma ação penal em que é acusado de peculato, num caso em que teria, segundo a PGR, desviado recursos da verba indenizatória para o pagamento de despesas pessoais relativas a uma filha fruto de um caso extraconjugal. Ele nega as acusações e tem dito que provará sua inocência ao longo do processo.

O presidente do Senado tem entrado em rota de colisão com membros do Judiciário e do Ministério Público principalmente por patrocinar um projeto de lei que define o crime de abuso de autoridade que, para alguns juízes e promotores, visa intimidar as duas categorias e embaraçar investigações, como as da Lava Jato.

A proposta é apontada por Renan como uma das prioridades do Senado até o final deste ano. Os senadores encerram o ano legislativo na quinta-feira.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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