Planalto tem dia nervoso com demissão de assessor de Temer e boatos de saída de outros auxiliares

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O Palácio do Planalto teve nesta quarta-feira um dia nervoso, com a demissão de um dos assessores mais próximos do presidente Michel Temer, o advogado José Yunes, e boatos de que dois de seus principais auxiliares, Moreira Franco e Eliseu Padilha, estariam também saindo, forçando o governo a agir para dissipar rumores de que haveria um desmanche do núcleo duro.

Logo pela manhã, notas na imprensa informavam que Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, pediria uma licença médica e que Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), estaria com uma carta de demissão pronta. Padilha de fato está com um problema de saúde, mas que não o impede de trabalhar e não planeja sair, ao menos por enquanto.

Já o caso de Moreira o Planalto ainda tenta entender, disseram à Reuters fontes palacianas. Pessoas próximas ao secretário-executivo do PPI confirmaram a história, mas fontes palacianas garantem que o caso nunca aconteceu.

"Não existe nem mesmo essa formalidade entre eles. São amigos há 30 anos, se Moreira quiser pedir demissão ou o presidente quiser demiti-lo não precisa ter uma carta guardada", disse uma das fontes.

Há quem veja na ação do secretário a intenção de ouvir publicamente de Temer que ele e Padilha são indispensáveis, em um momento em que parte da base aliada cobra de Temer que demita os amigos e faça o governo técnico que se chegou a pensar antes de o peemedebista assumir a Presidência, disse uma fonte.

Moreira desmentiu a carta, em uma frase enviada por sua assessoria, na qual dizia não abandonar batalhas em que acredita.

No último final de semana, durante um jantar na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), surgiu a sugestão de que todos os ministros pusessem seus cargos à disposição, mas Temer negou, disse uma fonte. Afirmou que não era o momento de criar essa instabilidade no governo.

O dia culminou com o pedido de demissão do assessor especial da Presidência José Yunes. Amigo de Temer há várias décadas, Yunes se sentiu ofendido por ter sido citado na delação de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, como tendo recebido em seu escritório, em dinheiro vivo, parte de repasse de 10 milhões de reais que teriam sido solicitados por Temer ao então presidente da empreiteira.

Desde a semana passada Yunes ensaiava a saída, mas foi aconselhado a fazê-lo discretamente, contou uma fonte. Sua nomeação para o cargo, em setembro deste ano, fora feita sem alarde, e sua saída também não chamaria a atenção, avaliou a fonte. Yunes, no entanto, preferiu divulgar uma carta em que dizia que viu "seu nome ser jogado no lodaçal de uma abjeta delação", aumentando o tom da crise diária do Planalto.

Assessores presidenciais passaram boa parte do dia recebendo telefonemas e tentando dissuadir agentes econômicos de que não havia um desmanche do núcleo duro do governo.

"Não tem isso. O presidente está super motivado a enfrentar essas crises. Ele sabe que tem dificuldades e movimentos para desestabilizar o governo", disse uma das fontes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos