Tenda cancela IPO e Gafisa faz acordo para vender fatia para Jaguar Growth Asset

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A construtora Tenda cancelou os planos de lançar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), cuja precificação estava prevista para esta quarta-feira, devido às condições desfavoráveis do mercado.

Diante da situação, a controladora da companhia, Gafisa, optou por acordo para vender até 30 por cento das ações da construtora de imóveis econômicos para a Jaguar Growth Asset Management por 8,13 reais por ação, bem abaixo da faixa indicativa do IPO, de 12,50 a 16,50 por papel. O preço atribui um valor à Tenda de 539 milhões de reais.

A Gafisa pretendia conseguir uma avaliação para a Tenda de pelo menos 1,2 bilhão de reais no IPO.

A Jaguar é uma empresa de investimentos no setor imobiliário de mercados de crescimento fora dos Estados Unidos. A companhia é sediada em Nova York.

Segundo a Gafisa, o acordo com a Jaguar depende de condições que incluem redução do capital da Tenda em 100 milhões de reais, dos quais 50 milhões serão pagos para a Gafisa até o fim de 2018 e o restante até final de 2019.

Outra condição é redução do capital da Gafisa com restituição aos acionistas de ações correspondentes a 50 por cento do capital da Tenda.

Em 12 de dezembro, a Reuters publicou que a escassa demanda de fundos de pensão e outros investidores poderia forçar a Tenda a precificar a oferta no ponto mais baixo da faixa de preço indicada ou ainda a buscar outras alternativas.

As opções analisadas incluíam conceder aos acionistas da Gafisa prioridade na alocação de ações da Tenda, uma oferta privada ou venda direta de participação para investidor estratégico.Gafisa, Tenda e os bancos que coordenavam o IPO, o primeiro a ser feito por uma construtora no país desde 2009, não comentaram.

A escalada das tensões políticas em meio a alegações de que o presidente Michel Temer poderia estar envolvido em escândalos de corrupção e a crescente agitação social com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos "ajudaram a colocar freios nessa transação específica", disse a fonte.

Na semana passada, a Gafisa prorrogou em um dia a data de precificação do IPO da Tenda porque conversas com investidores estavam levando mais tempo que o esperado.

Nos últimos dias, vários participantes do mercado disseram à Reuters discordar da elevada avaliação de pelo menos 1,2 bilhão de reais que a Gafisa atribuiu à Tenda.

A Gafisa afirmava que a listagem da Tenda daria aos investidores a chance capitalizar os esforços de três anos que permitiram à construtora de imóveis econômicos se aproximar das rivais MRV Engenharia e Direcional Engenharia.

A Gafisa e a Tenda tinham contratado Itaú BBA, Bradesco BBI, BB Investimentos, Votorantim e Bank of America Merrill Lynch para coordenar o IPO.

(Reportagem adicional de Tatiana Bautzer)

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