Lula pede R$1 mi de indenização a coordenador da Lava Jato por coletiva sobre denúncia

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com ação na Justiça pedindo uma indenização no valor de 1 milhão de reais contra o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, por conta da entrevista coletiva realizada pelos investigadores em setembro, quando anunciaram o oferecimento de uma denúncia contra o ex-presidente.

Na ocasião, Dallagnol apresentou aos jornalistas um gráfico em que o nome de Lula aparecia no centro tendo em volta diversas acusações relacionadas ao bilionário esquema de corrupção na Petrobras e afirmou que o ex-presidente era o "grande general" e o "maestro" do esquema de corrupção na estatal.

A denúncia, em que Lula era acusado de receber propina da construtora OAS na forma de um apartamento triplex no Guarujá, litoral de São Paulo, e no pagamento de despesas de armazenagem de bens pessoais, foi posteriormente aceita pelo juiz federal Sérgio Moro.

"Nenhum cidadão pode receber o tratamento que foi dispensado a Lula pelo procurador da República Dallagnol, muito menos antes que haja um julgamento justo e imparcial", disseram os advogados de Lula em nota.

"O processo penal não autoriza que autoridades exponham a imagem, a honra e a reputação das pessoas acusadas, muito menos em rede nacional e com termos e adjetivações manifestamente ofensivas", acrescenta a nota, assinada pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins.

Além desta ação penal, Lula responde a outras duas: uma em que é acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato, que tramita na Justiça Federal do Distrito Federal; e outra relativa à operação Janus que trata de contratos obtidos pela Odebrecht em Angola e que é parte da operação Janus.

O ex-presidente também foi denunciado pelo Ministério Público Federal na operação Zelotes --acusado, entre outros crimes, de tráfico de influência no processo de compra de caças suecos pela Força Aérea Brasileira (FAB) e na aprovação de prorrogação de benefícios fiscais ao setor automotivo.

Nesta quinta, Lula foi alvo de mais uma denúncia na Lava Jato, dessa vez referente ao suposto recebimento de propina paga pela Odebrecht na forma de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula e de uma cobertura vizinha à residência do ex-presidente. [nL1N1EA1L3]

A defesa do ex-presidente nega todas as irregularidades e afirma que Lula é alvo de perseguição política.

(Reportagem de Eduardo Simões; Edição de Raquel Stenzel)

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