Lateral Ruschel pisa no gramado da Chapecoense e diz que quer voltar a jogar logo

CHAPECÓ (Reuters) - Muito emocionado, o lateral Alan Ruschel, um dos sobreviventes da queda do avião da Chapecoense, deu seus primeiros passos no gramado do clube na manhã deste sábado. O jogador é o primeiro brasileiro a deixar o hospital desde a tragédia na Colômbia e, em coletiva de imprensa, prometeu voltar a jogar e dar muitas alegrias ao time que considera como uma família.

Acompanhado da noiva, Ruschel chegou à Arena Condá, estádio da Chapecoense, vestindo a camisa do clube. Ainda em recuperação, relatou não se lembrar do acidente que matou 71 pessoas no final de novembro.

"Quando começaram a me contar o que tinha ocorrido parecia um sonho, um pesadelo. Aos poucos me contaram tudo que houve e a ficha foi caindo", disse.

O acidente aéreo ocorreu enquanto o time da Chapecoense viajava à Colômbia para a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. O avião caiu perto do aeroporto de Medellín após aparentemente ficar sem combustível, gerando comoção na comunidade do futebol. Além de quatro brasileiros, dois tripulantes bolivianos também sobreviveram.

Entre sorrisos e lágrimas, o jogador afirmou estar vivendo uma mistura de sentimentos: alegre por estar em casa, mas em luto por ter perdido tantos amigos. Questionado sobre o que pensa a respeito das causas do acidente, não escondeu a sensação de revolta. "Procurei não falar do acidente, evitar olhar notícias, mas pelo pouco que acompanhei, acredito que houve ganância por parte do piloto", afirmou.

O lateral da Chapecoense recorre à fé para explicar sua sobrevivência. De acordo com ele, Deus é o único responsável por ainda estar vivo. "Ele me pegou no colo e me deu uma segunda chance", disse. Após ter lesionado a coluna e passado por uma cirurgia complicada, Ruschel também acredita estar presenciando dois milagres: além da vida, ganhou a chance de continuar caminhando.

Chorando, também recordou que durante o voo trocou de lugar com outro passageiro e, se não fosse essa atitude, talvez não estivesse vivo. "O Cadu Gaúcho (dirigente da Chapecoense que morreu no acidente) pediu para eu sentar na frente e deixar os jornalistas ao fundo. Eu não quis sair na hora, mas depois vi o Follmann e ele insistiu para que eu fosse sentar com ele", recordou em lágrimas, referindo-se ao goleiro Jackson Follmann, que também sobreviveu ao acidente.

Mesmo passando por momentos difíceis, Ruschel ainda preservava bom humor e conseguiu arrancar sorrisos dos jornalistas durante sua entrevista. Prometeu voltar à Colômbia e pagar um churrasco para os médicos que o atenderam enquanto esteve em tratamento em Medellín. Ainda disse que, durante o tempo que esteve hospitalizado, tinha vontade de tomar café e comer pão com presunto.

Por mais que saiba que há um longo trabalho de recuperação pela frente, o jogador foi enfático ao afirmar que pretende voltar a jogar pela Chapecoense o quanto antes. "Quando entrei aqui na Arena Condá tive a sensação de estar em casa. Prometo que ainda vou dar muitas alegrias para esse time. Com muito esforço e trabalho eu quero voltar a jogar em breve", relatou.

Como alguém que demonstra muita coragem, o jogador afirma que tira como lição dessa tragédia a necessidade de aproveitar a vida, seja fazendo aquilo que gosta ou o bem para as outras pessoas. Nos próximos dias, visitará a cada dos pais e, na sequência, retorna para Chapecó, no oeste de Santa Catarina, onde seguirá o tratamento que ainda precisa fortalecer a coluna e a massa muscular.

(Por Luiz Barp; Edição de Patrícia Duarte)

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos