Venezuela adia retirada de cédula após caos e protestos

CARACAS (Reuters) - O presidente venezuelano, Nicolas Maduro, suspendeu no sábado a eliminação da maior cédula do país, que havia provocado escassez de dinheiro e distúrbios em todo o país, dizendo que a medida seria adiada até o início de janeiro.

A retirada surpreendente da nota de 100 bolívares nesta semana - antes que novas notas maiores estivessem disponíveis - levou a vastas filas nos bancos, saqueamento em dezenas de lojas, protestos contra o governo e pelo menos uma morte.

Maduro, falando do palácio presidencial, culpou uma campanha de "sabotagem" por inimigos no exterior pela chegada tardia de três aviões com as novas notas de 500, 2 mil e 20 mil bolívares.

"Um avião, contratado e pago pela Venezuela, foi contatado em vôo para mudar de direção e ir para outro país", disse ele, sem especificar quem havia dado as ordens. "Há outro que não recebeu permissão de passagem aérea".

As notas de 100 bolívares, oficialmente desativadas desde quinta-feira e que valem apenas 4 centavos de dólar à taxa de câmbio do mercado negro, podem agora ser usadas até 2 de janeiro, disse Maduro.

Muitos venezuelanos estavam sem meios para pagar alimentos, gasolina ou preparativos de Natal em um país que tenta se recuperar de uma profunda crise econômica.

Cerca de 40 por cento dos venezuelanos não têm contas bancárias e, portanto, não podem usar transações eletrônicas como alternativa ao dinheiro.

Somando-se ao caos, a Venezuela tem a maior inflação do mundo, o que significa que grandes sacos de dinheiro devem ser usados para pagar por itens básicos.

(Por Corina Pons e Andrew Cawthorne)

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