Vale vende ativos de fertilizantes para Mosaic por US$2,5 bi; terá fatia na Mosaic

SÃO PAULO (Reuters) - A mineradora Vale anunciou nesta segunda-feira a venda de ativos de fertilizantes para a Mosaic por aproximadamente 2,5 bilhões de dólares, em negócio que também envolverá aquisição de participação minoritária na companhia norte-americana, segundo fato relevante.

A Vale afirmou que receberá 1,25 bilhão de dólares em dinheiro e 1,25 bilhão de dólares em ações ordinárias a serem emitidas pela Mosaic, com a mineradora brasileira avançando em sua estratégia de vender ativos para reduzir a dívida.

"A Vale continua com seu programa de desinvestimento e usará os recursos provenientes desta venda para reduzir sua dívida, ao mesmo tempo em que permanece exposta ao negócio de fertilizantes através da participação estratégica na Mosaic", afirmou a companhia, ressaltando que a parceria com a Mosaic adiciona valor substancial aos acionistas da Vale, fortalecendo a exposição da empresa ao mercado mundial de fertilizantes.

Já a Mosaic deverá se transformar em líder em produção e distribuição de fertilizantes no Brasil, um dos mercados agrícolas mais promissores do mundo, afirmou a empresa dos EUA.

"Enxergamos isso como uma combinação estratégica ideal para a Mosaic. Nós temos experiência comprovada em mineração e produção de fosfato, um grande registro de integrações de aquisição bem-sucedidas, bem como relações e experiência vastas no Brasil", declarou o presidente e CEO da Mosaic, Joc O’Rourke, em nota.

Os ativos negociados envolvem unidades com capacidade de produção de 4,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados e 500 mil toneladas de potássio, segundo a Mosaic, que espera que a aquisição aumente o lucro por ação da empresa em 2018, gerando mais de 80 milhões de dólares em sinergias após impostos.

A norte-americana emitirá aproximadamente 42,3 milhões de ações, número que atualmente representa em torno de 11 por cento do total das ações ordinárias em circulação da Mosaic.

A Vale disse que, sujeito a exceções específicas, as ações da Mosaic emitidas para a mineradora brasileira não poderão ser transferidas por dois anos após a conclusão da transação. Entretanto, após o período, a companhia brasileira terá plenos direitos.

Após a conclusão da transação, a Vale terá o direito de indicar dois membros do Conselho de Administração da Mosaic, acrescentou a mineradora.

Adicionalmente, a Vale poderá receber uma quantia adicional de até 260 milhões de dólares, a serem pagos em dinheiro ao longo do período de dois anos após o fechamento do acordo, caso determinadas métricas financeiras sejam atingidas.

Uma vez concluída a transação, a Vale venderá para a Mosaic: ativos de fosfatados localizados no Brasil, excluindo os de nitrogenados e fosfatados em Cubatão (SP).

O negócio também inclui participação em Bayóvar, no Peru; ativos de potássio localizados no Brasil, incluindo o projeto de Carnalita; e o projeto de potássio no Canadá (Kronau).

A inclusão do polêmico projeto de potássio de Rio Colorado (Argentina) --no qual a Vale investiu bilhões-- no escopo da transação está sujeita à aceitação da Mosaic após o término da due diligence, segundo a mineradora brasileira.

A Vale afirmou que a conclusão da transação é esperada para final de 2017 e está sujeita à separação dos ativos de Cubatão da Vale Fertilizantes e ao cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outras autoridades antitruste.

As ações preferenciais da Vale, maior produtora global de minério de ferro, operavam praticamente estáveis nesta segunda-feira. Por volta das 11h02, caíam 0,25 por cento, em dia em que os contratos futuros de minério de ferro na China tiveram queda de mais de 7 por cento.

FINALMENTE

Em 17 de junho, a Reuters antecipou que a Mosaic havia entrado em negociações para comprar a unidade de fertilizantes da Vale, segundo fontes com conhecimento do assunto. Uma das fontes havia dito que o acordo poderia chegar a 3 bilhões de dólares.

Em nota a clientes, o BTG Pactual afirmou nesta segunda-feira que o esperado negócio foi fechado na parte mais baixa das expectativas, de 2,5 bilhões a 3 bilhões de dólares.

Mas o BTG mencionou que o acordo exclui ativos de nitrogenados e fosfatados em Cubatão. Então não é possível comparar as expectativas com o negócio efetivamente fechado, segundo o banco.

A Vale afirmou que espera explorar a venda dos ativos de Cubatão em 2017.

Os ativos localizados em Cubatão, que são dedicados, principalmente, à produção de nitrogenados, registraram um Ebitda ajustado de 108 milhões de dólares em 2015.

(Por Roberto Samora)

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