Aécio diz que PSDB ficará unido após ser reconduzido ao comando do partido

(Reuters) - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), assegurou nesta terça-feira que o partido permanecerá unido após a decisão da Executiva Nacional tucana de reconduzi-lo ao comando da legenda e disse que a candidatura tucana ao Palácio do Planalto amadurecerá ao longo do próximo ano.

A recondução de Aécio à presidência do PSDB fortaleceu a posição do parlamentar mineiro na disputa interna para ser, mais uma vez, o postulante do partido à Presidência da República em 2018, ao mesmo tempo que tem potencial de gerar cizânia no ninho tucano com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que saiu fortalecido das eleições municipais deste ano e também é pretendente a ser candidato ao Planalto.

"Houve uma decisão da direção nacional do partido provocada por 22 diretórios estaduais, na verdade, seguindo algo que se transformou quase numa tradição no PSDB, a prorrogação por mais um ano dos mandatos da direção do partido", disse Aécio em entrevista à imprensa.

"Portanto, os mandatos que findariam em maio de 2017 estão prorrogados já até maio de 2018, algo absolutamente convergente e que vem retirar da pauta, da agenda de 2017 –um ano que, sabemos, extremamente delicado, com uma agenda econômica a enfrentar e o PSDB com a responsabilidade que tem em conduzir essa agenda –qualquer tipo de disputa ou de desentendimento dentro do partido", acrescentou.

O PSDB foi o principal vencedor do pleito municipal deste ano, mas Alckmin saiu mais forte da disputa graças ao desempenho robusto do partido em São Paulo e à eleição de seu afilhado político João Doria para o comando da prefeitura da capital paulista já no primeiro turno. Doria tornou-se candidato apoiado por Alckmin que, para isso, comprou inclusive briga com caciques tucanos.

Aécio, por sua vez, não conseguiu eleger seu aliado João Leite prefeito de Belo Horizonte. Leite foi derrotado no segundo turno para Alexandre Kalil, do nanico PHS. Aécio já havia sido derrotado em Minas Gerais, Estado que governou por dois mandatos, por Dilma Rousseff na eleição de 2014 e seu candidato ao governo do Estado perdeu já no primeiro turno para o atual governador mineiro, o petista Fernando Pimentel.

Apesar da disputa interna, e da possibilidade já aventada no meio político de Alckmin deixar o PSDB para ser candidato à Presidência --o principal destinado apontado é o PSB, do vice-governador paulista, Márcio França--, Aécio garantiu que os tucanos voarão unidos em 2018.

"Eu acredito que em 2018 haverá aquilo que sempre houve no PSDB, por mais que haja uma certa torcida para divisões. Nós, em todas as eleições presidenciais, sem exceção, caminhamos juntos... A partir do ano de 2017, acho que vai amadurecer dentro do PSDB o sentimento de quem é aquele companheiro que tem as melhores condições para disputar e vencer as eleições", disse.

"Precipitar uma disputa que envolve inclusive Estados, um partido que se fortaleceu tanto nas últimas eleições, poderia levar inclusive a perda de quadros no ano que vem em razão da vitória de um determinado grupo político em um determinado Estado", acrescentou.

Apesar das articulações dos dois principais líderes tucanos com vistas a 2018, a operação Lava Jato, que investiga um bilionário esquema de corrupção na Petrobras, pode atrapalhar os planos. Aécio, Alckmin e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, que corre por fora pela indicação tucano ao Planalto, foram citados por delatores da operação como destinatários de vantagens indevidas pagas por empreiteiras. Todos negaram envolvimento.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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