Produtores de MT começam colheita antecipada de soja; trabalho ganha ritmo após Natal

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As primeiras lavouras de soja de Mato Grosso já estão sendo colhidas e os trabalhos deverão ganhar ritmo na semana entre o Natal e o Ano Novo, muito antes do registrado em anos anteriores, após agricultores terem aproveitado uma janela climática bastante favorável para o plantio.

Com os trabalhos de colheita começando precocemente no Estado que responde por cerca de 30 por cento da safra do Brasil, um maior volume de soja estará disponível para vendas e exportações já em janeiro, o que teria potencial de pressionar os preços da oleaginosa na bolsa de Chicago.

O Brasil é o maior exportador global de soja e deve colher uma safra recorde de mais de 102 milhões de toneladas, crescimento de 7,4 por cento ante a temporada passada, afetada pela seca em várias regiões.

"Alguns produtores começaram a colher esta semana. É alguém que teve coragem de plantar em setembro. Arriscaram, mas acabou chovendo logo após o plantio", disse à Reuters o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), Marcos da Rosa, que é produtor rural no leste de Mato Grosso.

Há relatos de que o trabalho já começou no nordeste do Estado, em algumas pequenas áreas dos municípios de Vila Rica e Confresa, um fato isolado, uma vez que nessa região, de maneira geral, o plantio foi mais atrasado.

Segundo o dirigente da Aprosoja, a maioria dos agricultores do nordeste de Mato Grosso, que havia registrado fortes prejuízos com clima adverso na temporada anterior, adotou cautela nesta temporada 2016/17 e só plantou com as chuvas normalizadas.

Na média do Estado, maior produtor nacional de soja, o trabalho de plantio ocorreu com velocidade recorde. No final de outubro, cerca de 45 dias após o início do período autorizado para o cultivo, dois terços das lavouras de 2016/17 já estavam semeados, quase o dobro do registrado um ano antes.

Assim, muitas lavouras já estarão maduras e prontas para a colheita nos próximos dias.

"Semana que vem a colheita já começa em escala maior. O período de Natal e de Ano Novo vai ser de muito trabalho", disse o diretor técnico da Aprosoja Mato Grosso, Nery Ribas.

Neste cenário, Mato Grosso poderá chegar ao fim de janeiro com 25 por cento de sua safra de soja colhida, colocando no mercado mais de 7 milhões de toneladas na oleaginosa, em um período que costuma ser ainda de fim de entressafra, segundo a consultoria AgRural.

Na história recente do Estado, o índice mais acelerado de colheita de soja em janeiro havia sido registrado em 2009/10, quando o mês terminou com 16 por cento das áreas colhidas.

CHUVAS

As atenções do produtores de soja de Mato Grosso estão voltadas para o regime de chuvas, já que o excesso de umidade pode obrigar uma paralisação da movimentação de máquinas nas lavouras e reduzir a qualidade dos grãos, com perdas no valor obtido na venda dos lotes.

"Até o momento a qualidade das lavouras está excelente. Mas tem risco de excesso de chuvas na colheita", disse Ribas.

A Somar Meteorologia afirmou nesta quarta-feira que nos próximos três dias haverá precipitações acumuladas entre 10 e 50 milímetros no centro, oeste e norte de Mato Grosso.

"Entre o fim de dezembro e início de janeiro, a chuva enfraquece no Sul (do Brasil) e aumenta no Centro-Oeste", destacou a Somar.

Além dos problemas causados pela chuva no momento em que a soja já está seca e pronta para a colheita, o ambiente úmido favorece a propagação da doença fúngica conhecida como ferrugem asiática. Quando ela não é controlada pode provocar severas perdas nas plantações.

"O período de festas será de muito trabalho também por causa das aplicações de defensivos. Tem que ter cuidado com a ferrugem", lembrou Rosa, da Aprosoja Brasil.

No Paraná, o segundo Estado produtor de soja e que também realiza um plantio mais precoce em relação à maior parte do país, ainda não há registros de colheita.

"A colheita deve começar em janeiro. O plantio foi bem dentro do prazo e a colheita deverá começar pelo sudoeste e pelo oeste do Estado", disse o economista Marcelo Garrido, do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado ao governo paranaense.

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