Sem interessados no Parque Olímpico, Prefeitura do Rio cede gestão ao governo federal

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Depois de várias tentativas de conceder à iniciativa privada a administração do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira a cessão da gestão ao governo federal.

O anúncio da transferência da administração foi feito em um evento no próprio Parque, onde também foi inaugurado um mural em homenagem a todos os medalhistas da Rio 2016.

Pelo acordo, o Ministério do Esporte vai ajudar financeiramente na manutenção do Parque e na desmontagem de arenas temporárias. A estimativa é que o Parque esteja totalmente aberto e funcional no primeiro trimestre do ano que vem, segundo o ministro do Esporte, Leonardo Picciani.

O acordo prevê que o ministério administre as arenas 1 e 2, o centro de tênis e o velódromo. Um centro olímpico de alto rendimento também vai funcionar no local e será destinado ao treinamento e formação de atletas. Não foi anunciado o valor a ser desembolsado, mas logo após os Jogos, prefeitura e governo federal estimavam gastar juntos na manutenção do Parque, que foi o principal local de competições da Olimpíada, cerca de 30 milhões de reais --13 milhões a prefeitura e 17 milhões o governo federal.

“A partir de segunda-feira o grupo de transição do ministério assume a gestão e num primeiro momento vamos assumir os contratos da prefeitura e esse grupo terá 30 dias para apresentar o custeio dos equipamentos que serão objeto de processo licitatório”, declarou Picciani.

“Tenho certeza que vamos conseguir reduzir esses custos como fizemos em Deodoro...não entendemos isso como um custo. Assumimos porque isso aqui é um legado fundamental para a população e para o desenvolvimento do esporte brasileiro.”

O Parque Olímpico de Deodoro, onde foram disputadas algumas modalidades nos Jogos de 2016, que também conta com apoio financeiro do Ministério do Esporte, tem um custeio estimado para 2017 de 35 milhões de reais, sendo que os cálculos iniciais apontavam para 56 milhões de reais, de acordo com Picciani.

A Prefeitura do Rio tentou várias vezes licitar a gestão do local, mas não teve sucesso. Uma empresa vencedora não chegou a apresentar as garantias necessárias para viabilizar a concessão. O prefeito eleito Marcelo Crivella já tinha sinalizado que poderia cancelar a licitação e que a gestão do Parque deveria ser definida pela nova administração da cidade.

“O legado nem sempre tem tanto interesse do setor privado. Fizemos uma Olimpíada com muito dinheiro privado”, disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes. “Essa coisa de fim de governo; o privado fica inseguro se o prefeito vai querer manter e essa mensagem não ficou muito clara ... e o momento econômico de crise também influenciou”, completou ele.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos