Turquia processa policiais em primeiro julgamento após golpe fracassado

Por Humeyra Pamuk

SILIVRI, Turquia (Reuters) - O primeiro julgamento relacionado a um golpe de Estado fracassado na Turquia começou nesta terça-feira, quando 29 policiais foram acusados de desobedecer ordens na noite de julho na qual soldados rebelados tentaram depor o governo e mataram cerca de 240 pessoas.

Desde o golpe fracassado, mais de 100 mil pessoas foram demitidas ou suspensas em um expurgo abrangente que visou militares, policiais, funcionários públicos e do setor privado. Cerca de 40 mil pessoas foram presas.     

A segurança foi reforçada no tribunal de Silivri, a oeste de Istambul, o que incluiu uma forte presença policial. Os repórteres não tiveram permissão de levar câmeras e outros equipamentos para o edifício.

Os policiais são acusados de ignorar ordens para defender o palácio do presidente turco, Tayyip Erdogan, em Istambul na noite do golpe de 15 de julho, informou a agência estatal de notícias Anadolu. Não foi possível contatar os advogados dos 29 réus de imediato para saber se eles irão negar as acusações.

Durante a sublevação, soldados amotinados utilizaram tanques, helicópteros e aviões de guerra em Istambul e Ancara e atacaram o Parlamento e outras instituições.

"Todos os envolvidos na tentativa de golpe devem ter um julgamento justo", disse Orhan Cagri Bekar, advogado que representa algumas das vítimas do golpe, aos repórteres. "Aqueles que são culpados devem ser condenados à punição mais severa, porque isto é uma traição ao país."

Os procuradores estão pedindo três penas de prisão perpétua para 21 dos policiais e de 7 anos e meio a 15 anos para os outros oito, noticiou a Anadolu.

Embora o julgamento desta terça-feira seja o primeiro referente ao golpe, ele não inclui seus supostos mentores, que devem ser julgados em Ancara, provavelmente no ano que vem.

No início deste ano o governo disse que um novo tribunal seria construído em um bairro de Ancara, já que não existem cortes grandes o suficiente na Turquia para se lidar com um número tão grande de réus.

O governo culpou o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, que mora nos Estados Unidos, por orquestrar o levante. Gulen, um ex-aliado de Erdogan, negou a acusação e repudiou o golpe.

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