ESTREIA-Sigourney Weaver encarna avó no drama fantástico "Sete Minutos depois da Meia-Noite"

SÃO PAULO (Reuters) - Podemos criar monstros para materializar algo com que não conseguimos lidar com a linguagem que nos é dada – e isso é ainda mais profundo quando acontece com sentimentos conflituosos. Em “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”, Conor (Lewis MacDougall) tem 12 anos e constantes pesadelos envolvendo uma árvore gigante e monstruosa que anda e fala – dublada por Liam Neeson.

Nessa criatura o jovem protagonista corporifica uma enxurrada de sentimentos e emoções diante da iminente morte de sua mãe (Felicity Jones) de câncer.

Há um conflito que o consome: estar viva significa que ela está sofrendo mas, se ela se for, ficará um buraco gigantesco em sua vida que jamais será preenchido – nem pelo pai pouco presente (Toby Kebbell), ou a avó (Sigourney Weaver). É desse embate interno do garoto que surge essa criatura enigmática que possui estratagemas estranhos para ajudar.

A trama de “Sete Minutos Depois da Meia-Noite” foi concebida pela escritora Siobhan Dowd, em seu leito de morte, e Patrick Ness a transformou em um romance e, mais tarde, roteiro para o filme, dirigido pelo catalão J.A. Bayona (“O Orfanato”).

A cada noite, o monstro conta uma nova história para Conor. Essas pequenas tramas deverão ajudá-lo com seus problemas – entre eles, também está o constante bullying na escola. A ideia é que quando Conor for capaz de contar sua própria história, acontecerá uma catarse e ele poderá encarar seus próprios problemas.

Antes disso, precisa lidar com tudo o que o cerca – a mãe agonizante, os problemas na escola, a avó autoritária. É a jornada do herói rumo a sua própria aceitação, que, finalmente, o faz encarar as adversidades de frente, tornando-se uma pessoa mais forte.

“Sete Minutos Depois da Meia-Noite” transita entre o realismo e a fantasia como válvula de escape para as opressões do cotidiano, mas também como combustível para lutar contra elas. Bayona opta por um tom agridoce e melancólico – até nos momentos explicitamente fantásticos –, o que o faz parecer seguir um manual para fazer chorar, quando, o material, fortemente emotivo, por natureza, não precisava disso.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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