Jovair Arantes lança candidatura à presidência da Câmara na presença de concorrente e de petista

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), lançou nesta terça-feira sua campanha à presidência da Casa, em uma cerimônia que contou com a presença de representantes de diversos partidos, inclusive da oposição, e de outro concorrente ao posto, o líder do PSD, Rogério Rosso (DF).

Em um movimentado evento no salão nobre da Câmara, Jovair se declarou candidato sob o lema “Coragem e Estabilidade” com a promessa de garantir a independência da Casa.

“Não podemos ter uma Câmara tutelada pela Justiça, não podemos ter uma Casa que a sociedade olha de cara feia”, afirmou.

“Presidente da Câmara, vou estar colocando as matérias que o governo considera importantes... vamos votá-las e se possível aprová-las”, disse, acrescentando, no entanto, que o resultado da votação vai depender da avaliação que cada deputado fizer.   

Na segunda-feira, Rosso, deputado próximo a Jovair e integrante do mesmo grupo político, o centrão, lançou sua campanha e afirmou que do jeito que está, a Reforma da Previdência não será aprovada pela Câmara.

Mais cedo nesta terça, Rosso não descartou a possibilidade de desistir de sua candidatura, mas afirmou que, por ora, ela está mantida.

“Temos ainda 80 por cento da campanha. Como política é igual a nuvem, nós imaginamos que a cada dia teremos surpresas”, afirmou o líder do PSD.

Questionado sobre a possibilidade de junção das candidaturas do centrão, Jovair afirmou que “com certeza” estarão unidas no segundo turno, se um deles não sair vencedor já no primeiro. Tanto o líder do PTB como Rosso são do grupo.

PATRULHA

Diante do concorrente e do novo líder do PT, Carlos Zarattini (SP), que discursou na cerimônia e defendeu a ncessidade de uma “Mesa forte”, Jovair defendeu a proporcionalidade como critério para a distribuição dos cargos da Secretaria da Mesa.

“Existe um trabalho muito grande de todos os partidos para buscar a proporcionalidade... Então na minha chapa, eu vou ter alguém do PMDB na primeira vice, nós vamos ter alguém do PT na primeira-secretaria ou na segunda vice, vamos ter alguém do PSDB na primeira secretaria ou na segunda vice,  alguém do PP na segunda secretaria, alguém do PR na terceira secretaria e assim sucessivamente”, disse Jovair.

Os deputados petistas devem reunir-se no dia 17 para definir sua posição oficial sobre a sucessão na Câmara.

Jovair aposta na avaliação individual de cada deputado no dia 2 de fevereiro, data da eleição da Mesa, ainda que cúpulas de partidos da base e do centrão como PSD, PP e PR tenham sinalizado ao governo e ao atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apoio à recondução do deputado.

“Aqui não vai ter patrulha de voto, os partidos não poderão patrulhar os votos dos deputados”, avisou o candidato pelo PTB.

Dentre as promessas de campanha, Jovair defendeu um limite de horário para as votações na Casa (“chega dos horários da madrugada, chega de votações noturnas”, discursou), uma atualização do regimento interno, e o resgate da credibilidade da Câmara “com coragem para ser independente”.

A candidatura rivaliza fortemente com a de Rodrigo Maia, ainda que o atual presidente não tenha oficializado sua postulação.

Uma possível recondução do atual presidente é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento que a Constituição veda a reeleição na mesma Legislatura. Adversários de Maia argumentam que uma eventual vitória do deputado do DEM colocaria a Casa novamente à mercê da decisão de outro Poder.  

Maia, por sua vez, muniu-se de pareceres e sustenta que não há proibição expressa no texto constitucional para o seu caso, já que assumiu o comando da Casa para um mandato tampão.

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