PF investiga fraude na liberação de recursos da Caixa com envolvimento de Geddel

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira uma operação para investigar suspeita de fraude na liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para grandes empresas entre 2011 e 2013, tendo entre os alvos o ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco e ex-ministro do governo Michel Temer, Geddel Vieira Lima.

Entre as empresas que teriam se beneficiado de créditos liberados pela instituição financeira por meio do esquema fraudulento estão a Marfrig, o Grupo Bertin, a J&F Investimentos, a JBS e a BR Vias, de acordo com as investigações da Polícia Federal citadas em despacho da Justiça Federal do Distrito Federal.

Além de Geddel, o esquema envolveria o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e dois outros ex-vice-presidentes da Caixa, assim como executivos das empresas suspeitas de participação e um operador do mercado financeiro, segundo as investigações.

Geddel foi apontado pela PF como responsável por "beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para outros membros do grupo criminoso", de acordo com despacho do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a operação.

Advogados de Geddel não estavam disponíveis de imediato para comentar.

O peemedebista foi ministro da Secretaria de Governo no início da administração Temer, mas deixou o cargo em novembro após ser acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de fazer pressão pela liberação de um empreendimento imobiliário na capital baiana.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais no Distrito Federal, Bahia, Paraná e São Paulo, disse a PF em nota. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos bancários e telefônico dos suspeitos.

De acordo a investigação o esquema envolvia a liberação de recursos da Caixa para as companhias por meio de direcionamento político, com participação de Cunha, em troca de pagamento de propina. Cunha está atualmente preso no âmbito da operação Lava Jato.

A defesa de Cunha disse que ainda não teve acesso aos autos do processo, mas afirmou que desde já pode adiantar que "as suspeitas são absolutamente improcedentes".

Ações da JBS caíam 2,5 por cento no meio da tarde desta sexta, ficando entre as principais quedas do índice Ibovespa.

Em comunicado, a JBS disse não ser sido alvo da operação nem "notificada sobre a decisão judicial referente à essa operação".

"A empresa  pauta suas relações na ética e profissionalismo e tem convicção da regularidade das suas práticas", acrescenta a JBS. "A companhia ressalta ainda que sempre atuou de forma transparente e todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade.”

No início da noite, a Marfrig informou que "não foi alvo de qualquer medida da Polícia Federal, que a Caixa Econômica Federal ou qualquer um de seus fundos não são acionistas relevantes da Companhia".

Além disso, a empresa disse que as operações com a Caixa "sempre foram feitas em condições de mercado, com custos equivalentes aos dos bancos privados, com garantias reais e sem qualquer tipo de privilégio".

A Caixa afirmou, em nota, que está em "contato permanente" com as autoridades, e prestando colaboração com as investigações.

TROCA DE MENSAGENS

A chamada operação "Cui Bono?" --expressão latina que significa "A quem beneficia?"-- é um desdobramento da operação Catilinárias, realizada em dezembro de 2015, que incluiu busca e apreensão na casa de Cunha, à época presidente da Câmara.

Segundo a PF, foi verificada uma intensa troca de mensagens entre o ex-presidente da Câmara e o então vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa em um telefone celular apreendido na residência, que indicava possível obtenção de benefícios ilegais pelos investigados.

"As mensagens indicavam a possível obtenção de vantagens indevidas pelos investigados em troca da liberação para grandes empresas de créditos junto à Caixa Econômica Federal, o que pode indicar a prática dos crimes de corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro", disse a polícia na nota.

Inicialmente o caso tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de se tratar de investigação contra pessoas com foro privilegiado, mas, em virtude dos afastamentos dos investigados dos cargos e funções públicas que exerciam, o STF decidiu encaminhar o inquérito à Justiça Federal do DF, que autorizou a operação desta sexta, de acordo com a PF.

(Reportagem adicional de Brad Haynes, em São Paulo)

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