Venezuelana PDVSA deve ter produção em 2017 próxima de mínimas históricas

Por Alexandra Ulmer e Brian Ellsworth

CARACAS (Reuters) - A petroleira estatal venezuelana PDVSA projeta uma produção de petróleo em 2017 próxima de mínimas em 23 anos, de acordo com um documento interno da companhia, o que sugere mais dificuldades no caminho do país, já envolvido em uma severa crise.

A combalida PDVSA, que responde por quase toda receita com exportações da Venezuela e é o motor financeiro do governo socialista do país, viu a produção cair quase 10 por cento em 2016 devido à fraqueza da economia e aos baixos preços do petróleo.

A fraqueza nas finanças da companhia estão causando interrupções operacionais, o que piora ainda mais a derrocada do país. Três anos de recessão e de inflação em disparada têm causado caos na Venezuela, com pessoas deixando de ter todas refeições ou saqueando supermercados.

Alguns economistas estimaram que o PIB da Venezuela caiu 10 por cento ou mais em 2016.

Neste ano, a PDVSA vê a produção em 2,51 milhões de barris por dia, uma alta de apenas 5 mil ante os 2.496 milhões de bpd nos primeiros 11 meses de 2016, segundo um plano estratégico para os próximos nove anos apresentado pela companhia em dezembro.

O número é próximo dos níveis de produção de 1993, devido à dificuldade da companhia para pagar fornecedores, o que levou algumas prestadoras de serviços a paralisar os trabalhos e fornecedores de petróleo a atrasar ou suspender entregas de combustíveis e de óleo bruto.

A PDVSA não respondeu a pedidos de comentário sobre o relatório.

As exportações de petróleo para a aliada política China, que emprestou mais de 50 bilhões de dólares à Venezuela em troca de petróleo na última década, deverão subir 55 por cento em 2017 ante 2016 e chegar a 550 mil bpd, segundo a apresentação.

Não há explicações para o salto, mas ele pode sinalizar um final de um período de carência que Caracas havia negociado com Pequim para reduzir os embarques para o país em 2016.

Já as vendas para a Índia deverão cair 15,5 por cento, para 360 mil bpd. Ao contrário da China, a Índia paga principalmente em dinheiro, o que significa que uma redução nas exportações para o país deve prejudicar ainda mais a situação financeira da companhia.

(Reportagem adicional de Marianna Parraga em Houston)

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