Choque entra em presídio palco de massacre no RN para transferir presos

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A tropa de choque da Polícia Militar do Rio Grande do Norte entrou nesta quarta-feira no presídio de Alcaçuz onde 26 detentos foram mortos em confronto entre membros de facções criminosas rivais, com o objetivo de realizar uma transferência de presos da penitenciária, disse o secretário de Segurança do Estado, Caio Bezerra.

Em entrevista coletiva em Natal, o secretário disse que estão sendo transferidos cerca de 220 detentos que estavam nos pavilhões 1 e 2 de Alcaçuz e que pertenceriam à facção Sindicato do Crime, que atua no Estado. Com a saída desses presos, serão levados a Alcaçuz detentos que, segundo o secretário, têm posição neutra na disputa entre as facções.

"A operação foi muito bem-sucedida. Não houve resistência dos presos. Nós fizemos revistas em todos os pavilhões", disse Bezerra, acrescentando que, nessa revista, foram encontradas armas de fogo, um colete à prova de bala e "uma grande quantidade" de armas brancas.

O secretário disse que os presos retirados de Alcaçuz serão levados ao presídio estadual de Parnamirim.

Bezerra afirmou que a decisão de transferir os detentos foi tomada depois que as autoridades tiveram informações de que havia escavações nos pavilhões 1 e 2, que poderiam resultar em fugas, e que os detentos desses pavilhões estariam planejando uma retaliação contra os presos do pavilhão 5, que seria dominado por integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que teve origem em São Paulo.

Pouco antes da entrevista do secretário, o major Eduardo Franco, da PM potiguar, disse à Reuters por telefone que a PM havia tomado completamente o controle do presídio.

No início da operação, imagens da TV mostraram um caminhão da tropa de choque entrando no complexo do presídio e, posteriormente, policiais militares cercando os pavilhões da penitenciária. Ônibus se posicionaram em frente ao presídio, para fazer a transferência de detentos.

Desde o fim de semana, quando houve confrontos entre facções criminosas no presídio, as autoridades não tinham controle de Alcaçuz. Antes da entrada da tropa de choque, havia detentos em cima de telhados, imagem que se tornou corriqueira desde o fim de semana.

Enquanto a tropa de choque atuava dentro do presídio, ônibus foram queimados em Natal. Segundo Bezerra, embora os casos ainda estejam sendo investigados, há indicativos que os atos de vandalismo ocorreram em retaliação às transferências de presos.

"O caso dos ônibus nós estamos investigando e provavelmente há algum tipo de situação vinculada às transferências", disse o secretário.

"A população pode ficar tranquila. O policiamento ostensivo foi reforçado e as investigações estão em andamento", acrescentou.

EXÉRCITO E FORÇA NACIONAL

A morte de 26 presos em Alcaçuz no fim de semana foi mais um episódio da crise do sistema prisional brasileiro, iniciada no primeiro dia de 2017 quando 56 pessoas foram mortas em um presídio de Manaus também em um confronto entre integrantes de diferentes facções criminosas.

Em resposta à crise, que o governo reconheceu ter ganhado "contornos nacionais", o presidente Michel Temer colocou as Forças Armadas à disposição dos Estados para atuarem em inspeções dentro das cadeias para a apreensão de materiais proibidos, como armas, telefones celulares e drogas.

Bezerra disse que foi sinalizado um reforço de efetivo para os homens da Força Nacional que já estão no Rio Grande do Norte e acrescentou que o governador do Estado, Robinson Faria (PSD), já solicitou ao governo federal o envio das Forças Armadas.

"Ele (o Exército) vai contribuir sobremaneira para intensificar as vistorias dentro das unidades", disse o secretário.

"Vamos tentar fazer vistorias todos os dias", acrescentou.

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