ESTREIA-Novo filme dos Trapalhões faz releitura de clássico sem o mesmo vigor

SÃO PAULO (Reuters) - Um novo filme dos Trapalhões – protagonizado pela dupla sobrevivente do quarteto, Renato Aragão e Dedé Santana – a quem se destina? Será que crianças do século 21, que cresceram com as animações sagazes dos últimos anos, terão paciência para essa história que parece perdida no tempo?

Talvez o filme “Os Saltimbancos Trapalhões Rumo a Hollywood” se sustente pelo fator nostalgia e tenha como público-alvo exatamente a geração de pais, que, quando pequenos, assistiam ao grupo na televisão e cinema. Trata-se de uma espécie de releitura do filme de 1981, mais do que uma atualização ou continuação da trama original – que, aliás, ignora totalmente.

O cenário e ponto de partida são mais ou menos os mesmos: um circo à beira da falência, que conta com a ajuda de dois funcionários, Didi Mocó (Aragão) e Dedé (Santana), além da filha do dono, Karina (Letícia Colin), para evitar que se transforme no palanque de campanha e arena de leilão do prefeito corrupto da cidade (Nelson Freitas). A ausência de animais no circo, para evitar maus-tratos, serve como explicação pelo fracasso de público.

A saída para o problema aparece para Didi num sonho. Para voltar a ter sucesso, é preciso fazer um espetáculo com os artistas circenses vestidos de animais. Karina, que acaba de voltar depois de cursar a faculdade de administração, promete ajudar com a contabilidade e o espetáculo, assim como o malabarista Frank (Emílio Dantas), que volta para reencontrar os amigos.

O único empecilho é Assis Satã (Marcos Frota), que assume a direção do Grande Circo Sumatra e está disposto a aliar-se ao prefeito, pois vê mais vantagem nisso do que manter a lona de pé.

Com roteiro de Mauro Lima (“Meu nome não é Johnny”) e direção de João Daniel Tikhomiroff (“Besouro”), “Os Saltimbancos Trapalhões Rumo a Hollywood” mantém a trilha sonora escrita por Chico Buarque – a partir da produção italiana original, assinada por Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, por sua vez, inspirada num conto dos irmãos Grimm – com a única diferença de novos arranjos para o filme.

Tentando capturar um público mais jovem, o filme traz como coadjuvantes Lívian Aragão e Rafael Vitti - no papel da sobrinha da cartomante do circo (Maria Clara Gueiros) e um acrobata –, ambos da novela “Malhação”, em personagens que não dizem muito a que vieram dentro da trama, a não ser cantar e dançar em alguns momentos. Já Dan Stulbach, por sua vez, faz aquela que é a melhor participação especial do filme, apresentando uma cerimônia do Oscar.

“Os Saltimbancos Trapalhões Rumo a Hollywood” é um filme repleto de boas intenções, mas quase nunca se encontra: é uma homenagem? é um remake? E, por fim, a ausência de Mussum e Zacarias – que são lembrados com uma imagem do longa original - é sentida.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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