Obama diz que redução de pena de Chelsea Manning é justa

Por Jeff Mason e Dustin Volz

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que a ex-agente militar de inteligência Chelsea Manning cumpriu uma pena de prisão dura e que a sua decisão de reduzir a sentença de 35 anos para cerca de sete não seria um sinal de leniência em relação a pessoas que vazam segredos de governo.

Obama afirmou durante a sua última entrevista à imprensa como presidente que ele sentiu que fazia sentido reduzir a pena de Chelsea Manning porque ela foi julgada, assumiu a responsabilidade pelo crime, e a sua sentença foi desproporcional com as recebidas por outras pessoas que vazaram segredos.

"Eu me sinto muito confortável de que justiça foi feita”, disse Obama.

Chelsea Manning deu informações confidenciais de mais de 700 mil documentos, vídeos, mensagens diplomáticas e relatos de batalha ao grupo WikiLeaks em 2010, o maior vazamento do tipo da história norte-americana.

Obama afirmou que a redução foi decidida sem considerações a respeito do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que disse no Twitter na última quinta-feira que, se Chelsea Manning fosse solta, ele aceitaria a extradição para os EUA, onde há uma investigação criminal sobre as atividades do WikiLeaks.

"Eu não presto muita atenção aos tuítes de Assange”, afirmou Obama, acrescentando que não via contradição na forma em que o seu governo tratava Assange e Chelsea Manning.

O WikiLeaks ganhou destaque novamente durante as eleições presidenciais de 2016, divulgando emails roubados do Comitê Nacional Democrata e de democratas importantes.

As agências de inteligência norte-americanas concluíram que as agências de inteligência russas foram responsáveis pelas ações hackers, que teriam sido parte de uma campanha de Moscou para ajudar o republicano Donald Trump e desacreditar a democrata Hillary Clinton.

Obama disse que as agências de inteligência não foram conclusivas nas suas avaliações “se o WikiLeaks sabia ou não ser um condutor” para os esforços da Rússia de usar ciberataques para influenciar as eleições. Assange diz que o governo russo não foi a fonte dos emails.

Chelsea Manning, antes Bradley Manning, era do sexo masculino, mas, depois de condenada por espionagem, revelou que se identificava como mulher. A Casa Branca disse na terça que a sua pena terminaria neste ano em 17 de maio.

Ela tentou se suicidar duas vezes no ano passado e tem tido dificuldades para viver como transgênero feminino numa prisão militar masculina.

(Reportagem de Jeff Mason, Dustin Volz, David Alexander)

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