Obama espera por tranquilidade após deixar Casa Branca, mas promete defender "valores centrais"

Por Jeff Mason e Roberta Rampton

WASHINGTON (Reuters) - Ele está pronto para um período de tranquilidade, planeja escrever um livro e quer dar espaço a seu sucessor para governar, pelo menos na maioria das questões. 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou na quarta-feira sobre as expectativas para sua vida após deixar a Casa Branca durante a última coletiva de imprensa no cargo, na qual elogiou o papel da imprensa livre e compartilhou reflexões pessoais sobre como as filhas encararam a eleição de 2016.

Obama e sua família irão para Palm Springs, na Califórnia, na sexta-feira, após a cerimônia de posse do republicano Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos. 

“Quero ficar um pouco quieto e não me ouvir falar tanto”, disse Obama, de 55 anos, que deseja escrever um livro durante seu primeiro ano fora do cargo e passar tempo com sua família. 

Obama, um democrata que fez história em 2008 quando foi eleito primeiro presidente negro dos EUA, disse repetidamente apreciar o exemplo dado por seu antecessor, o republicano George W. Bush, que evita fazer comentários publicamente sobre suas opiniões políticas após ter deixado o cargo.

Mas Obama deixou claro que há algumas questões sobre as quais ele não hesitaria em falar —questões “onde eu acho que nossos valores centrais podem estar em risco”, como obstáculos a votações, “esforços institucionais para silenciar dissidências ou a imprensa” e qualquer esforço para deportar crianças e jovens sem documentos que foram levadas para os EUA. 

Em 2012, Obama disse que seu governo permitiria que pessoas levadas aos EUA ilegalmente por seus pais permanecessem no país com autorizações temporárias para que pudessem ir à faculdade ou trabalhar — uma das ações sobre imigração que Trump prometeu desfazer. 

“A noção de que nós arbitrariamente, ou por causa de política, puniríamos essas crianças, quando elas não fizeram nada errado, acho que é algo que mereceria que eu dissesse algo”, afirmou Obama. 

A família Obama vai continuar morando em Washington, onde Sasha, de 15 anos, está terminando o ensino médio. Malia, de 18 anos, foi aceita na Universidade de Harvard, para o segundo semestre. 

O presidente e sua esposa, Michelle Obama, fizeram campanha pela candidata presidencial democrata Hillary Clinton no ano passado. A primeira-dama, inclusive, foi ainda mais enfática por Hillary, após o vazamento de uma gravação na qual Trump falava abertamente sobre pegar nas partes íntimas de mulheres.

Obama disse que suas filhas ficaram "decepcionadas" com o resultado.

"Elas prestaram atenção ao que sua mãe disse durante a campanha, e acreditam nisso, por ser consistente com o que tentamos ensiná-las dentro de casa”, disse Obama.

(Reportagem de Ayesha Rascoe)

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