Lágrimas escorrem com volta da Chapecoense aos campos

Por Andrew Downie

CHAPECÓ, Santa Catarina (Reuters) - Em um jogo marcado por simbolismo, lágrimas e um senso de recomeço, a Chapecoense empatou em 2 a 2 com o Palmeiras no sábado, no primeiro jogo da equipe de Santa Catarina desde a tragédia aérea que matou a maior parte do time na Colômbia em novembro.

O amistoso contra o Palmeiras foi o primeiro jogo da temporada para ambos os lados, mas se tratou muito mais de simbolismo e emoção do que de esporte para um clube em busca de se recuperar de uma das maiores tragédias do futebol.

O jogo foi interrompido no segundo tempo para permitir que fãs gritassem a agora famosa frase "Vamos Chape!", em homenagem aos jogadores e membros da equipe que morreram na queda do avião do time na Colômbia em novembro passado.

O estádio Arena Condá foi enfeitado com milhares de origamis feitos à mão em formato de corações e tsurus, pássaros que significam saúde, boa fortuna e vida longa.

Em um cartaz atrás do gol se lia "Campeões Eternos, do roupeiro ao presidente", em referência aos muitos jogadores e funcionários da equipe que morreram.

Os sobreviventes e seus parentes foram ao centro do campo antes da bola rolar, com Jackson Follman, goleiro cujas pernas foram amputadas por conta do acidente, sendo apresentado com o troféu da Copa Sul-Americana em uma cerimônia emocionante.

Follman foi um dos seis sobreviventes do acidente, que ocorreu enquanto o avião da Chapecoense se aproximada de Medellín para jogar contra o Atlético Nacional em novembro, na final da Copa Sul-Americana.

O avião ficou sem combustível e atingiu uma montanha, matando 71 pessoas a bordo, muitos deles jogadores, autoridades e jornalistas a caminho do jogo.

A Chapecoense recebeu o título Sul-Americano pela Conmebol em dezembro, após a rodada ser cancelada.

Em cerimônia emotiva, as esposas dos jogadores mortos receberam as medalhas que teriam sido entregues a seus maridos.

Follman, que estava de cadeira de rodas no meio do campo, chorou enquanto levantava o troféu, o primeiro título continental da Chapecoense.

O jogo que se seguiu foi bem disputado, mas com um sol escaldante sob suas cabeças e ambos os lados em seu primeiro jogo da temporada, não foi mais que uma partida de treino glamurosa.

O Palmeiras marcou o primeiro gol após nove minutos, quando Raphael Veiga passou entre a defesa hesitante e marcou dentro da área.

Douglas Grolli empatou cinco minutos depois, quando mandou um chute pela esquerda. Amaral deu ao Chapecoense a liderança minutos dentro do segundo tempo, com uma cabeceada.

Mas Vitinho empatou novamente para o Palmeiras, com um espetacular chute de pé esquerdo de fora da área, com 12 minutos para o final da partida.

O estádio estava bem abaixo da capacidade de 20 mil pessoas, mas os que foram disseram que esperavam que fosse o início de uma nova era para o clube.

"Não poderíamos não estar lá", disse Sizelda Filipi, fã que vive a cerca de 30 quilômetros do estádio, logo antes do início do jogo. "Ficaremos muito emotivos e depois seguiremos em frente. Este é um recomeço."

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