Odebrecht busca compliance mais rigoroso e avalia saída da família do conselho, diz fonte

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - O Grupo Odebrecht está trabalhando em uma reformulação completa das regras de compliance que poderia levar à nomeação de mais membros independentes no conselho de administração e saída definitiva da família que dá nome ao conglomerado do colegiado, afirmou na terça-feira uma pessoa com conhecimento do plano.

O novo e mais rigoroso código de governança corporativa envolvendo a holding da Odebrecht e 15 subsidiária deve ser apresentado nas próximas semanas, afirmou a fonte. A proposta inclui a exigência de que pelo menos 20 por cento de cada conselho do grupo seja de membros independentes, ante nenhuma exigência atualmente, acrescentou a fonte.

A fonte, que pediu para permanecer anônima devido à sensibilidade da questão, disse que o presidente do conselho, Emilio Odebrecht --o patriarca da família que controla a Odebrecht-- tem planos para sair dentro de dois anos. A notícia foi divulgada primeiramente pelo jornal Valor Económico no início do dia.

O movimento vem quase dois meses após a Odebrecht assinar um acordo de leniência de 6,7 bilhões de reais com procuradores sobre o papel de liderança que desempenhou no pior escândalo de corrupção do Brasil. Advogados têm criticado o acordo, dizendo que ele não conseguiu criar incentivos para a família dividir o controle com o grupo de investidores.

O Valor cita o presidente-executivo da Odebrecht, Newton de Souza, dizendo que o grupo pode abrir o capital da Odebrecht Engenharia & Construção (OEC), divisão de construção civil do grupo, como parte do plano. A fonte ouvida pela Reuters disse que uma oferta pública inicial de ações da OEC está sob discussões preliminares e ainda precisa ser enviada ao conselho do grupo.

Um porta-voz da Odebrecht em São Paulo confirmou o conteúdo da entrevista do Valor, mas não quis comentar sobre o novo código de compliance.

Elementos do novo código irão incluir uma supervisão mais rigorosa sobre como a Odebrecht se relaciona com seus concorrentes e a proibição expressa de se envolver em práticas anticompetitivas para ganhar contratos ou maximizar poder de mercado, afirmou a fonte.

Ao implementar uma vigilância mais rígida sobre funcionários e acionistas e sua relação com os clientes, "Emilio e sua família querem enviar uma mensagem para o povo brasileiro que o suborno e a corrupção não serão tolerados mais como uma forma de ganhar o negócio" disse a fonte.

O acordo de leniência, que distribui o pagamento de multas por mais de 20 anos, deve dar um respiro financeiro para a Odebrecht e ajudar a reestruturar negócios sobrecarregados com a dívida. O grupo, que foi o maior empregador do setor privado do Brasil no ano passado, está em negociações com credores para refinanciar até 110 bilhões de reais de dívida.

Para ganhar melhores condições dos credores, a Odebrecht está se desfazendo de unidades e negócios do grupo. A empresa enfrenta expulsão do Peru e da Colômbia ligada ao escândalo de suborno.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos