Governo Trump pode reativar prisões secretas da CIA no exterior, dizem fontes

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar um decreto que pode levar à reativação do programa da CIA de interrogatório de suspeitos de terrorismo em prisões secretas no exterior com a utilização de técnicas que já foram consideradas formas de tortura, disseram à Reuters duas autoridades dos EUA nesta quarta-feira.

Os locais secretos da CIA foram usados para a detenção de suspeitos capturados durante a chamada "guerra ao terror", lançada pelo ex-presidente George W. Bush após os ataques de 11 de setembro de 2001.

O extinto programa com as chamadas "Técnicas Avançadas de Interrogatório", que incluem uma prática conhecida como simulação de afogamento, foi descrito em 2014 como ineficaz para a produção de informações de inteligência valiosas em um relatório do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA.

O decreto presidencial pede por uma revisão de alto nível que pode recomendar a Trump a "reativação do programa de interrogatório de alto valor para terroristas estrangeiros que seja operado fora dos Estados Unidos", e que a CIA seja responsável por administrar essas instalações, de acordo com uma cópia do esboço do decreto publicada pela Washington Post.

As duas autoridades dos EUA ouvidas pela Reuters, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Trump deve assinar o decreto nos próximos dias.

O decreto também autorizaria uma revisão das técnicas de interrogatório que forças dos EUA podem usar com suspeitos de terrorismo, a continuidade do centro de detenção dos EUA na base naval de Guantánamo, em Cuba, e o fim do acesso a todos os presos sob custódia dos EUA pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Caso tome essas medidas, Trump revogaria decisões do ex-presidente Barack Obama em busca de fechar a prisão de Guantánamo, encerrar o programa de instalações secretas da CIA, garantir o acesso da Cruz Vermelha a todos os presos sob custódia dos EUA e restringir os métodos de interrogatório aos previstos no manual das Forças Armadas.

(Reportagem de Mark Hosenball e Jonathan Landay)

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