Imprevisibilidade de Trump incomoda aliados dos EUA

Por Warren Strobel e Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - O estilo de negociação retórico e conflituoso “América Primeiro” do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já provocou telefonemas exaltados para a Casa Branca e o Congresso de diplomatas e lobistas preocupados que os EUA não mais os apoiam.

Quando um rumor circulou em Washington na quinta-feira de que Trump poderia estar se preparando para aliviar as sanções norte-americanas contra a Rússia, diplomatas europeus preocupados começaram a ligar para o Conselho de Segurança Nacional e perguntar se aquilo era verdadeiro, disse uma ex-autoridade norte-americana familiar com a situação.

Os representantes da Casa Branca não puderam responder às perguntas porque eles, também, estavam no escuro, disse a ex-autoridade, que pediu anonimato.

A nova embaixadora de Trump nas Nações Unidas, Nikki Haley, provocou um outro calafrio nos aliados norte-americanos nesta sexta, alertando que se eles não apoiam Washington, ela estava “tomando os nomes” e iria responder.

"A política externa de Trump é totalmente imprevisível”, disse uma importante autoridade da União Europeia (UE), que, segundo afirmou Trump, está destinada a romper.

O secretário de Defesa norte-americano, James Mattis, e o indicado para secretário de Estado, Rex Tillerson, “disseram todas as coisas certas”, afirmou o representante da UE. “Mas isso poderia ser como a política da guerra no Iraque novamente, quando nós vimos como um segmento do governo, e não o secretário de Estado, decide a política.”

Outro diplomata ocidental afirmou que embaixadores estrangeiros estão explicando as posições dos seus países para o Congresso na esperança que elas cheguem à Casa Branca.

No fim do ano passado, a Ucrânia assinou um contrato de lobby de 50 mil dólares por mês com Haley Barbour, ex-dirigente republicano e ex-governador do Mississippi.

Em janeiro, o Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional contratou a Husch Blackell para fazer lobby relacionado à importação de aço, de acordo com registros do Departamento de Justiça.

Alguma incerteza é normal quando um novo presidente busca a sua sintonia e voz em temas internacionais e coloca o seu pessoal nos cargos de execução da política.

Contudo, na semana desde a posse, Trump enviou uma chuva de sinais conflitantes, e vagas chaves nos departamentos de Defesa e Estado permanecem vazios.

"Estamos tentando descobrir quem é quem”, disse um diplomata europeu, se referindo aos esforços para determinar se diretrizes antigas da política externa ainda valem.

Um dos primeiros encontros importantes de Trump, com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, foi cancelado devido à exigência de Trump de que o México pague pelo muro que ele planeja construir. Os dois se falaram pelo telefone nesta sexta depois do cancelamento.

Na quarta, Trump afirmou que apoiaria zonas de segurança para refugiados na Síria, mas não deu indicação de como iria coordenar isso com a Turquia, Rússia e aliados na Europa e no Oriente Médio.

A indicação de Sean Spicer, porta-voz presidencial, de que os EUA impediriam a China de tomar territórios no Mar do Sul da China e o tuíte de Trump de 2 de janeiro de que um teste norte-coreano de míssil balístico intercontinental não aconteceria poderia criar a chance de um confronto militar, disseram autoridades asiáticas.

Alguns especialistas dizem que é muito cedo para os aliados entrarem em pânico.

"Não é apropriado ficar preocupado demais, mas não é apropriado simplesmente não se preocupar”, afirmou Fumiaki Kubo, professor de história do governo norte-americano na Universidade de Tóquio.

No entanto, outros sugeriram que quanto maior a incerteza e quanto mais ela durar, maiores são as chances de erros de cálculo por outros países, o que poderia prejudicar os interesses dos EUA.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed, Matt Spetalnick, Jonathan Landay e David Brunnstrom em Washington, Robin Emmott em Bruxelas, Linda Sieg em Tóquio e Ben Blanchard em Pequim)

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