ESTREIA-Na comédia "TOC", Tatá Werneck é uma atriz em crise

SÃO PAULO (Reuters) - “TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva”, protagonizada por Tatá Weneck, é uma comédia em sintonia com nosso tempo, na forma e no conteúdo. A trama tem como protagonista Kika K., uma estrela da contemporaneidade: artista de novela, capaz de emprestar sua imagem para qualquer produto que pague o valor que ela cobra.

Sucesso como a 'patinha feia e rica' em uma novela que se assemelha a qualquer folhetim mexicano, sua carreira está em ascensão. Ela está cotada para protagonizar a superprodução televisiva chamada “Amorgedom”, além de lançar um livro de autoajuda escrito por um ghost-writer (Pedro Wagner).

Escrito e dirigido por Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic, “TOC” lança um olhar um tanto cínico (e às vezes, doce) sobre o mundo vazio das celebridades hoje em dia. Apesar do tema surrado, a presença de Tatá Werneck, cujo timing para a comédia está afinadíssimo aqui, garante o humor constante no filme. Apesar de, em vários momentos, achar que todo palavrão é motivo de risos.

Kika está num momento de crise: o livro é horrível, mas ela tem de divulgá-lo mesmo assim. É perseguida por um fã obcecado (Luis Loubianco), mantém um namoro um tanto abusivo com seu colega de trabalho Caio Astro (Bruno Gagliasso), e encara uma empresária linha-dura (Vera Holtz). Além disso, a moça tem de enfrentar uma rivalidade com Ingrid Guimarães, que invade até seus sonhos.

Há também alguns TOCs, conforme mencionado no título, como sempre achar que deixou o gás do fogão ligado ou não colocar os pés em linhas, o que torna sua vida mais difícil, pois tudo quanto é piso parece ter alguma.

Na noite de lançamento do livro, Kika recebe um enigma do verdadeiro autor. Ela crê que, se o decifrar, poderá ter paz e felicidade e vai se livrar de todos os problemas que a consomem. Nessa jornada, conta com a ajuda de Vladmir (Daniel Furlan), vendedor da livraria.

Muito do filme depende da metralhadora verbal que é Tatá, e isso funciona muito bem. Há também momentos de inesperada ternura – especialmente numa cena num karaokê, envolvendo a música “Minha Pequena Eva”, um axé sobre um holocausto nuclear, como bem define Vladmir. Em seu ritmo alucinado, “TOC” fala de pequenas obsessões (com estrelas da televisão, com a felicidade) e grandes transtornos que elas causam. Também não tem qualquer pudor de satirizar novelas, astros da televisão, Tatá Werneck e a si mesmo – talvez aí resida a grande qualidade do filme: não se levar muito a sério.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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