Moraes confirma sua própria indicação ao STF em mensagem enviada por celular

Por Adriano Machado e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes, confirmou em mensagem por celular a um interlocutor que o presidente Michel Temer irá anunciar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira, em torno de 19h, conforme foto tirada por fotógrafo da Reuters durante cerimônia no Palácio do Planalto.

Fontes palacianas confirmam que o anúncio deve ocorrer nesta segunda-feira.

O nome de Moraes, que era considerado descartado na semana passada, cresceu durante o final de semana. Mais cedo, o próprio presidente negou a assessores próximos que tivesse tomado uma decisão sobre quem indicaria para o lugar de Teori Zavascki, morto no mês passado na queda de um avião, enquanto auxiliares presidenciais de alto escalão confirmavam que o nome de Moraes voltara a ser o favorito.

Em troca de mensagens com um interlocutor, Moraes afirma que "hoje, lá pelas 19h, o presidente indicará meu nome para a vaga do Supremo Tribunal Federal". Pode-se ver ainda que o ministro escreve "Se Deus quiser, em pouco tempo, (depois da sabatina no Senado)", possivelmente completando que seria então ministro da Suprema Corte.

Não há decisão, no entanto, com o que deve ser feito com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo uma das fontes, o PMDB, partido do presidente, tem reclamado da perda de espaço para o PSDB, e a tendência de Temer é de entregar a pasta para seu partido. No entanto, há quem defenda que a pasta continue com os tucanos.

Moraes passou a manhã reunido com Temer e, em parte do encontro, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Moraes tinha agenda em São Paulo nesta manhã, mas cancelou e voltou na noite de domingo para Brasília, ao ser chamado para uma reunião com o presidente.

Depois da cerimônia de anúncio de mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida, em que foi fotografado, Moraes voltou ao gabinete presidencial, no terceiro andar.

Temer teve vários encontros no final de semana para discutir a nomeação do novo ministro do STF. O presidente havia anunciado que só tomaria uma decisão depois da indicação do novo relator da operação Lava Jato, para mostrar que não iria interferir nas investigações. Com o sorteio de Edson Fachin para a relatoria na semana passada, Temer decidiu acelerar a indicação.

A resistência a Moraes devia-se ao fato de o ministro ser filiado ao PSDB e ter ligações políticas fortes com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmim --possível candidato tucano a presidente em 2018. Inicialmente, Temer dizia preferir um perfil mais técnico e discreto, semelhante ao de Teori.

De acordo com uma fonte palaciana, no entanto, há forte pressão da base por Moraes, que poderia ser um aliado do governo no Supremo.

Com sua indicação, o presidente terá que enfrentar o desgaste de nomear alguém com laços partidários. A avaliação, no entanto, é que há precedentes como Gilmar Mendes, ex-advogado-geral da União de Fernando Henrique Cardoso, e José Dias Toffoli, que teve o mesmo cargo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e antes disso tinha sido advogado do PT.

Moraes foi promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública e Secretário de Justiça do Estado de São Paulo. Foi indicado para o Ministério da Justiça e Cidadania por Alckmin, depois de Temer ter dificuldades em encontrar outros nomes para compor sua equipe.

Na última sexta-feira foi reempossado no ministério com as modificações estruturais na pasta.

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