Investidores da China apostam no milho enquanto minério de ferro e aço perdem o brilho

PEQUIM (Reuters) - Especuladores chineses voltaram-se para os contratos futuros de milho nesta semana em uma escala sem precedentes, buscando lucrar com uma eventual alta de commodity em meio a sinais de que o governo irá elevar seus esforços para aumentar a demanda e enxugar estoques do grão.

O gatilho para a confiança foi um comunicado de política agrícola conhecido como "documento número 1", divulgado no final do domingo, que reafirmou a investidores que o governo irá adotar medidas para impulsionar a demanda por milho em setores desde plástico até etanol.

Em uma sessão com negócios frenéticos na bolsa de Dalian, segundo maior mercado de derivativos da China, as rolagens e o número de contratos em aberto dispararam para níveis recordes na segunda-feira, impulsionando os preços para máximas de 18 meses.

Cerca de 4,7 milhões de contratos mudaram de mãos na segunda-feira, ligeiramente abaixo do volume médio para uma semana inteira. A demanda acumulada depois do feriado do Ano Novo Lunar chinês, que durou uma semana, também contribuiu para o alto volume de negócios.

"O milho tornou-se agora o produto futuro agrícola mais quente, após a divulgação do 'documento número 1'", disse o gestor de fundos Shu Gang, na divisão de gestão de ativos da Shanghai Zhongqi Futures.

Alguns fundos de hedge retiraram dinheiro de mercados industriais, como o minério de ferro e o aço, mirando melhores retornos no milho, disseram operadores.

Em 2016, o vergalhão de aço, usado na construção civil, subiu mais de 60 por cento, encerrando uma série de seis anos de perdas, com aumento dos gastos do governo.

Em 2017, o milho é visto como a bola da vez.

"O milho deverá tornar-se a estrela em 2017, com os preços baixos e o custo baixo", disse o analista Chen Yanlin, da Dayou Futures.

O número de contratos em aberto do milho superou o aço pela primeira vez em anos, em meados de janeiro, com ampliação da vantagem esta semana. Também superou o farelo de soja, tipicamente o maior mercado agrícola, em 1,3 milhão de lotes.

O documento publicado no domingo reiterou os planos para encorajar agricultores para cultivar menos milho e mais soja, enquanto recomendou novos canais para demanda pelo cereal, além de subsídios para processadores, apesar de temores sobre danos à renda dos produtores.

Depois de uma década de um programa de compras estatais, a China detém um estoque estatal estimado em 200 milhões de toneladas de milho, o suficiente para abastecer o país por um ano.

A curva dos preços futuros mostra que a estrutura conhecida como contango tornou-se mais altista na última semana. O prêmio para os contratos mais longos sobre o primeiro vencimento, aumentou para 220 iuanes por tonelada, ante 188 iuanes antes do feriado.

(Por Hallie Gu e Dominique Patton)

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