Chefe de presídios do PR diz que Cunha se recusou a fazer exame para comprovar aneurisma

SÃO PAULO (Reuters) - O deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se recusou nesta quarta-feira a passar por um exame que poderia comprovar a existência de um aneurisma cerebral, que ele afirmou ser portador na véspera em depoimento à Justiça.

A informação foi dada pelo diretor-geral do Departamento Penitenciário do Paraná, Luiz Alberto Cartaxo, que também garantiu que a unidade onde Cunha está preso tem condições para atendê-lo em caso de uma emergência.

Segundo Cartaxo, o ex-presidente da Câmara informou no dia 21 de dezembro durante consulta de praxe com uma médica do Complexo Médico-Penal de Pinhais, onde está detido desde 19 de dezembro, ter "portador de várias enfermidades, todas elas de origem vascular" e também ser portador de um aneurisma cerebral.

De acordo com o diretor-geral, foi pedido, então, que o ex-parlamentar apresentasse exames que comprovassem essa condição, o que não foi feito. Diante da declaração de Cunha na terça, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, de que tinha um aneurisma, Cartaxo determinou que o ex-deputado fosse submetido a uma ressonância magnética.

"Instado a fazer o exame ele se negou, dizendo que só faria isso na presença do médico particular dele. Isso constitui uma infração disciplinar dentro do contexto da execução penal... Já foi instaurado um conselho disciplinar contra ele para a aplicação do que a gente chama de pena leve", disse Cartaxo em entrevista coletiva, acrescentando que este tipo de infração é anotado na ficha do detento.

"Ele se nega a fazer o exame e ele não apresenta documentação comprabotória de ser portador dessa doença. E se portador dessa doença for, isso não exclui a custódia dele", acrescentou.

Cartaxo disse "contestar veementemente" a afirmação de Cunha de que o Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, não teria condições de atendê-lo caso ele passasse mal.

"A afirmativa que ele fez de que o Complexo Médico-Penal não oferece condições de custódia para ele, eu contesto veementemente. Oferece, sim, condições de custódia a qualquer paciente nas condições que ele alega ter e que não estão comprovadas por exame nenhum", disse.

O diretor-geral do Depen paranaense também rejeitou a declaração de Cunha de que são várias as noites em que detentos gritam por ajuda médica no Complexo Médico-Penal sem serem atendidos.

Cartaxo afirmou que há três alas na unidade em que Cunha está preso: uma com presos especiais, onde o ex-parlamentar está; outra com leitos médicos, e uma terceira com o que ele chamou de "loucos".

"Os gritos que ele escutou vieram de lá", disse Cartaxo. "Você já viu louco ficar quieto?", indagou.

Cunha foi preso em outubro do ano passado na Lava Jato. Teve o mandato parlamentar cassado depois de renunciar à presidência da Câmara.

(Reportagem de Eduardo Simões)

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