Número de homicídios no Espírito Santo passa de 100 durante greve da polícia

Por Paulo Whitaker

VITÓRIA (Reuters) - Mais de 100 pessoas foram mortas durante a greve de policiais no Espírito Santo que entrou no sexto dia nesta quinta-feira, disse um sindicato da categoria, e o transporte público foi interrompido e escolas e lojas permaneceram fechadas em decorrência da paralisação.

Cenas de violência e anarquia se espalharam pelo Estado desde o início da greve, apesar do envio de 1.200 homens das Forças Armadas e da Força Nacional e de uma promessa do Ministério da Defesa de disponibilizar mais soldados para enfrentar a crise.

A maior parte da violência está concentrada na capital Vitória. Autoridades do Estado disseram que precisam de mais tropas federais par ajudar a restaurar a ordem e substituir os 1.800 homens da Polícia Militar que normalmente patrulham a região metropolitana da cidade.

O governo estadual não divulgou números oficiais de mortes desde o início da greve da PM no sábado, deflagrada por uma demanda de aumento salarial, mas um porta-voz do sindicado que representa os policiais disse à Reuters nesta quinta-feira que foram registrados 101 homicídios desde sábado.

Caso confirmado, o número representaria seis vezes a média diária de homicídios em comparação com dados do ano passado.

De acordo com a rede Globo, citando fontes oficiais de segurança, cerca de 200 carros foram roubados em Vitória em um único dia, enquanto a média no Estado é de 20.

A associação comercial do Estado disse que os negócios registraram prejuízo de 90 milhões de reais desde o início da paralisação.

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, elogiou a atuação dos militares no Estado em sua conta no Twitter e disse que as tropas serão reforçadas.

"Com atuação madura, nossos militares evitaram o pior no conflito entre manifestantes e familiares dos policiais no ES. Parabéns!", disse.

"A partir de agora, determinei o reforço no ES com tropas paraquedistas, blindadas e aviação do Exército. A missão será cumprida. A ação do Exército no ES é pontual. Vem viabilizar as negociações do governo e trazer paz à população. Não vamos substituir a PM."

A greve, que tem participação de familiares e amigos de policiais que bloquearam acessos a batalhões, acontece à medida que o Espírito Santo, assim como outros Estados, enfrenta dificuldades financeiras para garantir serviços como saúde, educação e segurança.

Representantes dos policiais em greve, incluindo algumas esposas de PMs, se reuniram com autoridades do governo estadual na quarta-feira à noite para cobrar aumento de salário. Segundo o sindicato, eles não recebem aumento há quatro anos.

O salário médio mensal de um policial militar do Estado é 2.643 reais, de acordo com um representantes dos policiais em greve.

Os dois lados têm uma reunião marcada para mais tarde nesta quinta-feira.

(Reportagem adicional de Brad Brooks, em São Paulo)

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