Delegados da PF pedem saída de diretor-geral e apresentam lista tríplice

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal entregou nesta segunda-feira à Presidência da República um pedido de troca do comando da instituição, com a indicação de três nomes, votados entre os delegados, para substituir Leandro Daiello.

Os delegados acusam Daiello de omissão e enfraquecimento da instituição e de ser responsável pela mudança de postos de delegados que integravam a operação Lava Jato, com riscos para as investigações.

"A lista por si só expressa um desejo de novidade. A gestão atual não foi decisiva em lutar pelos direitos da categoria, em defesa da PF", disse o delegado José Augusto Campos Versiani, no Palácio do Planalto.

"Em vários momentos houve questionamento da capacidade e isenção da PF e você não via defesa incisiva do órgão, como vários órgãos fazem com sucesso", acrescentou Versiani. "Os delegados desejam que o diretor tenha uma defesa mais decisiva do órgão."

No Palácio do Planalto, o movimentos dos delegados é visto com certa indiferença. Uma fonte avalia que não há clima para o presidente ceder à corporação, muito menos tirar essa decisão de um ministro da Justiça que sequer foi nomeado --a pasta está sendo comandada pelo secretário-executivo, José Levi, com a licença de Alexandre de Moraes, indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na carta protocolado no Palácio do Planalto, a ADPF afirma que 72 por cento dos delegados votaram na lista tríplice apresentada a Temer. Na eleição, segundo a ADPF, os candidatos tiveram que apresentar suas propostas. Os nomes mais votados foram o de Erika Mialik Marena, especialista em crimes financeiros e que deixou recentemente a Lava Jato. Em seguida vieram os delegados Rodrigo Teixeira e Marcelo Freitas, ambos de Minas Gerais.

"Tivemos vários ministros da Justiça em pouco tempo, a cada um colocando uma dúvida sobre o andamento da operação. Para prevenir isso só tendo diretor que venha da lista tríplice", defendeu Versiani.

Não existe precedente no movimento dos delegados, que abertamente pregam a saída do diretor-geral. Também não existe previsão legal para a corporação indicar seu diretor, que é indicado pelo ministro da Justiça.

"Nossa esperança é que recebam e levem em consideração como uma prática salutar que já foi adotada em outros lugares com sucesso, como o MPF (Ministério Público Federal)", disse Versiani. "Depende do ministro (da Justiça), não existe lei que preveja, mas é uma prática salutar em várias autarquias."

Há menos de um ano, a ADPF fazia movimento contrário, ao defender Daiello no cargo. Nos momentos finais do governo da então presidente Dilma Rousseff, em nota, a associação criticava notícias de que o então novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, estaria considerando a troca de Daiello, por conta de interceptações telefônicas de conversas da presidente.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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