Delegados da PF pedem saída de diretor-geral e reapresentam lista tríplice

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal entregou nesta segunda-feira à Presidência da República um pedido de troca do comando da instituição, com a indicação de três nomes, votados entre os delegados, para substituir Leandro Daiello, repetindo um gesto feito em maio de 2016, depois da saída de Dilma Rousseff da Presidência.

Os delegados acusam Daiello de omissão e enfraquecimento da instituição e de ser responsável pela mudança de postos de delegados que integravam a operação Lava Jato, com riscos para as investigações. No texto, referem-se à saída de delegados que atuam na força-tarefa da operação, apesar das mudanças terem sido feitas a pedido.

"A lista por si só expressa um desejo de novidade. A gestão atual não foi decisiva em lutar pelos direitos da categoria, em defesa da PF", disse o delegado José Augusto Campos Versiani, no Palácio do Planalto.

"Em vários momentos houve questionamento da capacidade e isenção da PF e você não via defesa incisiva do órgão, como vários órgãos fazem com sucesso", acrescentou Versiani. "Os delegados desejam que o diretor tenha uma defesa mais decisiva do órgão."

No Palácio do Planalto, o movimentos dos delegados é visto com certa indiferença. Uma fonte avalia que não há clima para o presidente ceder à corporação em um momento em que existem questionamentos sobre a própria ação do governo em relação à Lava Jato. Além disso, lembra a fonte, não é a primeira vez que a lista é apresentada.

Na carta protocolada no Palácio do Planalto, a ADPF afirma que 72 por cento dos delegados votaram na lista tríplice apresentada a Temer. Na eleição, segundo a ADPF, os candidatos tiveram que apresentar suas propostas. Os nomes mais votados foram o de Erika Mialik Marena, especialista em crimes financeiros e que deixou recentemente a Lava Jato. Em seguida vieram os delegados Rodrigo Teixeira e Marcelo Freitas, ambos de Minas Gerais.

A eleição, no entanto, não é nova, assim como a lista. Foi realizada em maio do ano passado, tendo sido apresentada ao então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para uma eventual substituição de Daiello.

Poucos meses antes, no entanto, a ADPF fazia movimento contrário, ao defender Daiello no cargo. Nos momentos finais do governo da então presidente Dilma Rousseff, em nota, a associação criticava notícias de que o então ministro da Justiça, Eugênio Aragão, estaria considerando a troca de Daiello, por conta de interceptações telefônicas de conversas da presidente.

"Tivemos vários ministros da Justiça em pouco tempo, a cada um colocando uma dúvida sobre o andamento da operação. Para prevenir isso só tendo diretor que venha da lista tríplice", defendeu Versiani.

O movimentos dos delegados, no entanto, tornou-se uma disputa pública e aberta com Daiello pela primeira vez, depois que a lista foi ignorada por Moraes em maio de 2016. Não existe previsão legal para a corporação indicar seu próprio dirigente. A atribuição Constitucional é do presidente da República, que a delega, de maneira geral, ao ministro da Justiça.

"Nossa esperança é que recebam e levem em consideração como uma prática salutar que já foi adotada em outros lugares com sucesso, como o MPF (Ministério Público Federal)", disse Versiani. "Depende do ministro (da Justiça), não existe lei que preveja, mas é uma prática salutar em várias autarquias."

A posição dos delegados, no entanto, está longe de ser unânime dentro da própria Polícia Federal. A lista foi feita por apenas uma das associações de delegados, mas existem outras. Além disso, a carreira de delegado representa apenas 10 por cento do efetivo da Polícia Federal.

Não foram ouvidos, por exemplo, agentes e peritos da instituição. Em maio, contrariados com a ação dos delegados, os agentes apresentaram também ao Ministério da Justiça uma lista alternativa de indicados, para contrapor aos delegados.

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