Esperem mais notícias falsas da Rússia, diz general da Otan

Por Robin Emmott

MUNIQUE (Reuters) - A Rússia está por trás da falsa reportagem de estupro de soldados alemães na Lituânia, no objetivo de minar o apoio à nova força ocidental da Otan, disse um general sênior da força militar neste sábado, alertando a Europa para esperar mais notícias falsas como essa.

Petr Pavel, que lidera o Comitê militar da Otan, afirmou que também espera ter a primeira conversa por telefone em mais de dois anos com chefes militares russos nas próximas semanas. Nela, ele vai frisar que a Otan acredita que seu maior aparato militar desde o fim da Guerra Fria não é uma ameaça ao Kremlin.

Pavel, um general do exército checo, disse que a afirmação de que um homem que falava alemão estuprou uma menina de 15 anos na semana passada numa cidade da Lituânia próxima de um quartel do exército alemão "não era baseada em eventos reais". Um email fazendo a acusação foi enviado ao porta-voz do Parlamento da Lituânia na terça-feira.

"É claramente notícia falsa e acho que devemos esperar mais disso", disse Pavel em entrevista à Reuters, citando conversas com ministros de Defesa da Alemanha e da Lituânia.

O Ministro das Relações Exteriores da Estônia Sven Mikser também culpou a Rússia e disse esperar mais "propaganda hostil" sobre a presença da tropa.

Pavel afirmou que a Rússia "não está contente" com a implantação das tropas da Otan perto de sua fronteira.

"Ela usará provavelmente de meios legais, tais como propaganda, e tentarão influenciar a opinião pública contra as operações, disse. "Mas nós seremos transparentes, consistentes."

O ministro das Relações Exteriores da Rússia não respondeu à afirmação da Otan de estar por trás do email à Lituânia, como evidência para a qual Pavel citou o trabalho de inteligência da Otan que monitora atividades suspeitas e desinformação.

Agências de inteligência europeias disseram que Moscou está buscando desestabilizar governos e influenciar eleições com cyber ataques e notícias falsas.

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou neste sábado que quer discutir a questão com a Rússia, mas não sabia se o problema pode ser resolvido com sucesso antes das eleições europeias deste ano.

O ministro russo das Relações Exteriores Sergei Lavrov, afirmou não ver evidência da intromissão russa nas eleições ocidentais, mas que estava aberto à discutir a ameaça de cyber ataques no Conselho Otan-Rússia, um fórum diplomático bilateral.

Preocupada com o risco de Moscou invadir Polônia ou estados Bálticos desde a tomada da Crimeia ucraniana por parte da Rússia em 2014, a Otan está reforçando seu flanco oriental com tropas, jogos de guerra e equipamentos prontos para uma força de resposta rápida de até 40 mil funcionários.

As primeiras tropas alemãs chegaram à Lituânia, onde Berlim está liderando um batalhão de cerca de mil soldados. Em meados de abril, a Grã-Bretanha liderará uma força de dissuasão na Estônia, enquanto o Canadá está se desdobrando na Letônia e tropas norte-americanas estão chegando à Polônia e aos Bálticos.

A Rússia diz que o aumento da aliança ameaça a estabilidade da Europa Central. O país tem cerca de 330 mil soldados em seu distrito militar ocidental em volta de Moscou, acredita a Otan.

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